Informativo n°. 3
REVISTA DO HOSPITAL ESPANHOL N° 3
Indice
- EDITORIAL
- ENTREVISTA: DR. EDUARDO KANNAN
- OBRA NOS BASTIDORES
- NOVO CENTRO DE EMERGÊNCIA
- DENGUE UMA TRISTE REALIDADE
EDITORIAL
Quando os diretores financeiro e tesoureiro, na gestão José Paredes,
assumiram o Hospital Espanhol, sua situação financeira apresentava-se
em estado febril e com poucas esperanças de sobrevivência. Contas e
empréstimos a pagar, num total aproximado de R$1.400.000,00 e taxas
bancárias das contas garantidas numa faixa média de 3,5% ao mês.
Arregaçamos as mangas e partimos para um tudo ou nada, com o único
intuito de salvar o nosso Hospital do colapso total. 0 primeiro
procedimento foi reduzir as taxas bancárias para um patamar de 2,15% ao
mês, considerando que esse resultado foi obtido através de diversas
conversas com todos os gerente dos bancos parceiros credores do
hospital. Hoje, essas mesmas taxas estão na faixa de 2,25% ao
mes.
Passamos a controlar melhor os gastos, cortando os excessos e só
adquirindo o estritamente necessário para o bom funcionamento do
hospital. Agora, numa terceira etapa, pretendemos atuar no controle
mais rigoroso dos estoques e almoxarifado, estipulando a necessidade de
um estoque mínimo para atender às necessidades gerais do hospital.
Reestruturamos o setor de contabilidade do hospital, que apresentava
algumas falhas no cumprimento das exigências do CRC, quanto aos
princípios gerais da contabilidade. Esse trabalho de saneamento
financeiro poderá ser comprovado na próxima publicação do Balanço
Patrimonial da SEB, que mostrará a saúde financeira invejável do
hospital, apesar de alguns planos de saúde atrasarem mais de 60 dias no
pagamento de suas contas. Prometemos aos nossos sócios, que seguiremos
nessa linha de trabalho participativo, sério e transparente, na
condução das finanças de nossa SEB.
Fale conosco, enviando críticas ou sugestões, pelo email: diretoria@sebhe.com.br.
Ângeto R. Greco (Diretor-tesoureiro)
ENTREVISTA: DR. EDUARDO KANNAN
0 Hospital Espanhol ganhou um profissional que sinaliza grandes
mudanças no Serviço de Cirurgia-Geral. Dr. Eduardo Kanaan, que desde
fevereiro chefia e desenvolve esse departamento, vem trazendo não
somente novas idéias e tecnologias, mas uma experiência que lhe
garantiu títulos, cargos de chefias e coordenação de atividades
científicas em diversas instituições. Tantos que não conseguimos
listá-los todos neste espaço. Além de atuar no Hospital, Dr. Eduardo é
Chefe do Serviço de Girurgia-geral do hospital Municipal Lourenço Jorge
e Chefe do Serviço de Emergência da Clínica São Vicente da Gávea.
Também integra o Serviço de Emergência do Hospital Universitário
Clementino Fraga Filho (Fundão-UFRJ) e é instrutor do Curso Avançado de
Trauma. Saibamos um pouco de que forma ele irá contribuir para o nosso
Hospital.
Informe - Quais os seus planos para o Hospital Espanhol?
Eduardo Kanaan - Temos como projeto colaborar com a atual direção na
implantação de um serviço de emergência padrão, seguindo as normas do
ACLS (Advanced Cardiologic Life Support - Suporte Avançado de Vida em
Emergência Cardiológica) e ATLS (Advanced Trauma Life Support Suporte
Avançado de Vida em Trauma), através dos protocolos mais atualizados
existentes no mundo. Com a recente aquisição do mais moderno aparelho
de videolaparoscopia do Rio de Janeiro, visamos a realização de
cirurgias videolaparoscópicas avançadas (vesícular biliar, vias
biliares, cólon, supra-renal, esôfago, neológica...). Temos também em
vista o treinamento das equipes de enfermagem e médica para o setor de
emergência, assim como a melhoria do atendimento ambulatorial na
especialidade de cirurgia-geral.
Informe - Qual o objetivo de videolaparoscopia?
Eduardo Kanaan - E a realização de cirurgias de grande porte, com um
mínimo de trauma ae período menor de internação para o paciente. Uma
vez que a cirurgia videolaparoscópica propicia um pós-operatório
melhor, com menor sofrimento para o paciente.
Informe - 0 avanço dos recursos diagnósticos propiciam uma indicação
cirúrgica mais precisa. Qual a relação com um melhor prognóstico
pós-operatório?
Eduardo Kanaan- 0 avanço tecnológico dentro da medicina, de um modo geral, vem criando condições para o aprimoramento da precisão em diagnosticar várias patologias, tanto na área de clínica médica quanto na área cirúrgica, auxiliando, desta forma, um planejamento de tratamento mais adequado, pois previamente podemos ter noção do prognóstico da doença em questão.
Informe - Com a valorização do ATLS, como o senhor avalia o retorno
via atendimento emergencial dos pacientes nas Unidades de Saúde onde
eles foram realizados?
Eduardo Kanaan - Com a realização do ATLS e o ACLS como rotina de
treinamento médico acarretam mudanças radicais no atendimento ao
paciente, tanto no setor pré-hospital como hospitalar. Com todos os que
trabalham nestas unidades falam a mesma língua, isto é, com uma
sistematização do procedi mento, através de protocolos bem
sedimentados, melhorando, desta forma, a qualidade do atendimento no
setor de emergência, diminuindo a morbidade e a mortalidade, além de
reduzir o custo hospitalar.
OBRA NOS BASTIDORES
Por não terem acesso ainda, talvez os pacientes nem tenham
percebido que está sendo realizada, há cerca de 8 meses uma obra de
vital importância para o Hospital Espanhol . A esquerda do pátio do
estacionamento, num prédio com fundos para a Rua Conselheiro Josino,
irá funcionar a partir deste mês o Centro Administrativo, que será
responsável por um processo de grandes mudanças da entidade, tanto
física quanto gerencial.
Como o próprio nome diz, o objetivo do Centro Administrativo e reunir,
num unico espaço, toda a parte administrativa do Hospital, que hoje
está espalhada por diversos lugares. E o caso do departamento pessoal e
a contabilidade, localizados na Rua Carlos Carvalho. A distância de um
quilômetro do Hospital já era suficiente para causar vários transtornos
na operacionalização dos processos, sem controle de entrada e saída de
funcionários.
Quando todos estiverem instalados no prédio haverá, além de um
controle de circulação do pessoal, uma maior facilidade de comunicação
e, conseqüentemente, um aumento de produtividade.
Dividido em três pavimentos, o novo prédio vai abrigar no primeiro
andar a contabilidade , o departamento pessoal e uma parte
administrativa do SEB Saúde; no segundo andar, a administração central,
em conjunto com o faturamento, contas a receber e repasse; no terceiro
andar, a diretoria, a secretariaexecutiva da diretoria e a
controladoria.
A mudança avança ainda para a área de atendimento médico. Com esse
remanejamento dos setores, as salas desocupadas do prédio do hospital
se transformarão em quartos e as do Centro Ambulatorial Rio Madrid em
novos consultórios. Isso quer dizer que, brevemente, poderemos contar
com novos médicos, mais especialidades em um hospital que pretende
oferecer um
atendimento cada vez mais eficiente e dinâmico.
NOVO CENTRO DE EMERGÊNCIA
Hospital Espanhol continua investindo em obras de reformas para
ampliação e adequação de suas unidades, oferecendo aos seus usuários
instalações funcionais e modernas. Em mais uma etapa para atender a
esse objetivo, a diretoria vai entregar, em maio, um setor de vital
importância para a comunidade: o Pronto-Socorro.
Construída no pavimento térreo, a Emergência compreenderá uma sala de
grande complexidade para pequenas cirurgias e reanimação
cardio-respiratória, três leitos de repouso, uma central de
oxigenoterapia e uma sala para curativos e procedi mentos em lesões
infectadas. Todos os ambientes receberão equipamentos de última geração
para o socorro rápido e eficiente dos pacientes, sob o controle de uma
equipe de médicos intensivistas, com curso ATLS (Advanced Trauma Life
Support), preparados para operar em diferentes especialidades de
emergência.
Com esse novo setor que funcionará 24 horas por dia, o Hospital
Espanhol estará equiparando-se ao nível dos mais modernos hospitais do
Rio de Janeiro. Será assim, referência, nos casos de urgência e
oferecerá toda a tranqüilidade para o associado, que se sentirá em boas
mãos.
0 novo Pronto-Socorro conta com:
· Cardioversores com monitores muiltiparamétricos (saturação de
oxigênio, freqüência cardíaca) e marca-passo.
· Oxicapnógrafo e Vital-Wave para monitorização cardíaca
· Bombas digitais para infusão de medicamentos ( DIGIBomb).
· Carro maca de transporte para emergência com 4 rodízios giratórios
com freio e grades com regulagem retrátil. · . Focos cirúrgicos
auxiliares.
· Aspiradores de secreção à vácuo em todos os leitos.
· Unidade móvel de Emergência completa.
· Painéis Respiratórios modulados de parede completos em todos os
leitos. · Eletrocardiógrafo portátil com 3 canais.
· Kits de reanimação cardiorespiratória de silicone autoclaváveis,
infantil e adulto, com máscara para CPAP.
· Negatoscópios em todas as salas de atendimento e repouso.
· Central de Inaloterapia.
· Carro auxiliar para curativo com suporte para balde e bacia.
· Torneiras Clínicas em todas as salas de atendimento e repouso.
· Mesa Cirúrgica para pequenos procedimentos de urgência.
· Dispensadores MecániCos de degermante.
· Lavatórios Cirúrgicos em inox.
· Focos Clínicos.
DENGUE UMA TRISTE REALIDADE
Em 1779, ocorreu uma epidemia no Panamá de uma doença semelhante à
dengue, desde então, vários outros países da América Latina registraram
casos da doença. No período de 1943 e 1963 não houve registro de
epidemia de dengue, refletindo o sucesso obtido pela campanha de
erradicação da febre amarela urbana (cujo vetor transmissor também é o
Aedes aegipty), promovida pela Organização Pan-Americana de Saúde,
quando o mosquito transmissor foi erradicado de vários países,
incluindo o Brasil. Com o término do programa, a doença ressurgiu na
América Latina a partir das Ilhas do Caribe, onde o vetor não havia
sido erradicado.
As quatro espécies de vírus descritos são chamados de sortidos DEN-1,
DEN2, DEN-3 e DEN-4. Na década de 1980 a expansão geográfica do vírus
DEN-1 atingiu o Brasil de forma epidêmica (1982 e 1986), tendo sido
registrado alguns casos do vírus DEN-4 na primeira epidemia atual e que
ressurgiu na América a partir de 1994, no Panamá e Nicarágua.
Clinicamente, a dengue é subdividida em 4 formas de apresentação.
A primeira é a forma febril inespecífica e que é facilmente
confundida com outra virose, o paciente raramente procura auxílio
médico. A forma clássica é caracterizada pelo início súbito de febre
alta, que pode permanecer por uma semana, dores musculares, que
predominam na região lombar, cefaléia frontal e retroorbitaria e
fraqueza. Geralmente ao término da febre aparece um rash cutâneo
(vermelhidão na pele), que é acompanhado de prurido. Outras
manifestações como dores articulares, alteração do paladar, dores
abdominais e irritação na orofaringe também podem estar presentes. A
dengue hemorrógica caracteriza-se por manifestações hemorrágicas
(sangramento gengival, urinário, digestivo, nasal, vaginal), aumento em
20% de hematócrito (percentual de glóbulos vermelhos no plasma),
normal, ou uma redução em 20% após hidratação venosa e plaquetopenia
(redução da contagem de plaquetas). 0 período de instalação é
geralmente após término da febre e os pacientes necessitam já terem
sido expostos a outro sorotipo. Os sinais de alarme para uma evolução
desfavorável (síndrome de choque da dengue) incluem dor abdominal
severa, vômitos volumosos ou prolongados, mudança abrupta de febre para
hipotermia (temperatura corporal baixa), alteração do nível de
consciência, redução plaquetária progressiva e aumento progressivo do
hematócrito. Este quadro pode melhorar com a reposição apropriada de
fluidos e eletrólitos, e até mesmo espontaneamente. 0 diagnóstico de
síndrome do choque da dengue é dado quando a forma hemorrágica evolui
com falência circulatória, que quando associada a choque recorrente,
falência respiratória e níveis de leucócitos elevados (na ausência de
infecção bacteriana secundária) indicam um mau prognóstico. Nesta
epidemia, temos observado uma maior incidência de plaquetopenia em
paciente sem critérios para dengue hemorrágica e que retorna ao normal
espontaneamente. A existência isolada de plaquetopenia não significa
dengue hemorrágica, o mesmo ocorrendo com a prova do laço, que pode
estar positiva em pacientes com a forma clássica em 50% com a
hemorrágica. 0 diagnóstico sorológico (pela técnica MAC-ELISA) detecta
anticorpos Ig M em 93% dos casos entre o sexto e décimo dia do início
de doença e 99% a partir do décimo.
Infelizmente, não está prevista uma vacina tetravalente para os
próximos 5 anos. Sendo assim, a principal forma de prevenção ainda é o
controle do Aedes aegipty com programas governamentais e a participação
de toda a população, não permitindo a ocorrência de focos domésticos de
desenvolvimento das larvas. Os pacientes que fazem uso de A AS,
Ticlopidina (ticlide) ou Marevam apresentam risco aumentado de
hemorragia, devendo procurar o seu médico tão logo apresentem os
sintomas.
Equipe do Clínica Médica do Hospital espanhol

