Revista n°. 11
REVISTA DO HOSPITAL ESPANHOL N° 11
Índice
- EDITORIAL
- REGINA DEIXA O CONSELHO DELIBERATIVO
- CTI MAIS UMA CONQUISTA FUNDAMENTAL
- CAMINHOS CRUZADOS: UM BEBÊ NO CORAÇÃO DA SEB
- O FRIO E SEUS MISTÉRIOS
- DIABETES CUIDE-SE COM DOÇURA, MAS LONGE DO AÇUCAR
- CIRURGIA PLÁSTICA: AJUSTES NA SILHUETA E NA SAÚDE
EDITORIAL
De novo apostando no crescimento.
Caros sócios:
Na condição de atual presidente do Conselho Deliberativo da SEB, eleito
em maio de 2004 para um mandato de dois anos, quero fazer a todos
vocês, e também aos nossos parceiros e comunidade em geral, algumas
importantes observações. E nada melhor do que fazê-lo no primeiro
número da Revista do Hospital Espanhol posterior à eleição.
Em primeiro lugar, desejo esclarecer que, apesar da mudança do Conselho
- o primeiro eleito após a reforma de estatuto da SEB -, a filosofia
da Beneficéncia Espanhola continua a mesma. De certa forma, ainda é
igual à dos primórdios da entidade, assentada no princípio de um
empreendedorismo com ética e solidariedade. A diferença é que, através
dos tempos, aprendemos a caminhar melhor, a fazer melhor, a nos
profissionalizar, tanto para apresentar ao mercado serviços atraentes e
competitivos - com qualidade a preço justo -, como para manter nosso
trabalho beneficente em favor do público mais carente. A experiência
nos dá a certeza de que, quanto mais nos aperfeiçoarmos, mais teremos
condições de oferecer à sociedade uma medicina de primeira; mais
benefícios poderemos implementar para os usuários do plano de saúde da
SEB e conveniados; mais reconhecimento e respeito conquistaremos do
cidadão do Rio e de todo o pafs.
Como segunda observação, ressalto que a trajetória do Hospital
Espanhol, do qual a SEB é mantenedora, fala por si só. Basta ver o
número de especialidades médicas, a infra-estrutura física e de
equipamentos, o avanço dos setores mais especializados, como os CTIs...
Há, de fato, muitas novidades no Hospital Espanhol, muitos avanços,
fruto de um investimento maduro e consciente em suas equipes, em
melhores instalações, e em mais conforto e segurança para o
paciente.
Por fim, cabe falar do futuro. A despeito do tanto que já semeamos para
chegar até aqui, a SEB planeja vôos ainda maiores. A passos largos, o
Hospital Espanhol avança em direção à sua autonomia na maior parte dos
serviços prestados, recorrendo a terceirizações somente nos campos onde
a medida se apresente como a única solução viável economicamente ou com
uma carga de vantagens adicionais para nossos clientes.
Agora, nada me resta senão desejar boa sorte à diretoria
recém-empossada e aos meus companheiros de Conselho.
Lembro, porém, que a nova administraçáo da SEB, à semelhança da gestão
anterior, considerará bem-vinda qualquer sugestão, qualquer carta,
qualquer comentário - particular ou público, por meio da revista desde
que a intenção seja somar e crescer. Se dependesse apenas de esforços
solitários, o Hospital Espanhol nunca ocuparia o lugar de hoje e nem
desfrutaria de um conceito tão bom. A união de esforços, somada à força
dos ideais, sempre consegue produzir verdadeiros milagres.
José Baña Lois (Presidente do Conselho Deliberativo da SEB)
REGINA DEIXA O CONSELHO DELIBERATIVO
Em 12 de malo, Regina Jallas Suárez Figueira deixou a presidência do
Conselho Deliberativo da Sociedade Espanhola de Beneficência. Durante
cerca de quatro anos, esta administradora de empresas, nascida em Santa
Comba, Galícia, presidiu 15 reuniões do Conselho, sendo 11 ordinárias e
quatro extraordinárias. Entre as reuniões ordinárias, a mais importante
é a que acontece no mês de março, que trata da apresentação do
relatório econômico-financeiro anual da entidade. Das reuniões
extraordinárias, a que mereceu maior destaque foi a que aprovou a
reforma dos estatutos da SEB e a criação do regimento interno do
Conselho.
Na despedida do cargo, Regina Jallas quis expressar os seus
agradecimentos e falar um pouco de sua experiência de trabalho.
- Sinto-me honrada e orgulhosa de ter presidido o Conselho, porque, na
minha opinião, somente conselheiros que tenham prestado relevantes
serviços ao Hospital Espanhol deveriam ser presenteados com essa
indicação. Na ocasião em que assumi, confesso que não me sentia capaz
para o desafio e nem merecedora. Mas comecei a aprofundar meus
conhecimentos sobre os diversos setores e departamentos da SEB ao
participar das reuniões de diretoria, um dever estatutário, e do
dia-a-dia do hospital. Gostaria de aproveitar a oportunidade para
expressar o meu mais sincero agradecimento tanto aos conselheiros -
que, por duas vezes, confiaram em mim para representá-los junto à
diretoria e conduzir as nossas reuniões -, como às duas gestões das
quais fiz parte. Também sou profundamente grata aos funcionários do
Hospital Espanhol, sobretudo à Verônica, secretária da diretoria, e ao
Benjamin, o administrador.
Regina chegou corn a família ao Brasil em 1959, ainda menina, e na
juventude passou a freqüentar o Clube Ibéria e a Casa de Galícia. Em
1989, iniciou suas atividades nas entidades espanholas, sendo convidada
para diretora da Comunidade Hispânica de Assistência Social (CHAS). Um
ano depois, atuou como secretária e, em 1992, tornou-se a primeira
mulher a assumir a presidênca daquela instituição.
Na Beneficência Espanhola, Regina cumpriu importantes papéis. Primeiro
elegeu-se conselheira e secretariou a mesa, no tempo em que o Conselho
tinha como presidente o saudoso Manuel Taboada Quintas. Depois
substituiu Taboada, ao término do mandato, função que cumpriu até maio
último. No momento, além de ser suplente na diretoria de José Paredes
Gerpe e membro do ConseIho da SEB, ela dirige a área cultural da Casa
de España.
Apesar dos inúmeros compromissos, Regina deixa transparecer que não
pensa em parar. Afirma que, enquanto dispuser de tempo livre e sentir
que pode ser útil para a colônia espanhola, estará à disposição das
entidades. Ela entende que este é o período de sua geração dar
continuidade ao desenvolvimento e à modernização das instituições
criadas com o esforço dos imigrantes.
CTI MAIS UMA CONQUISTA FUNDAMENTAL
Com o olhar sempre atento às necessidades da comunidade e ao próprio
fortalecimento da instituição, a diretoria do Hospital Espanhol
inaugurou um importante serviço em 12 de abril último: um Centro de
Tratamento Intensivo próprio, composto de seis leitos e de equipamentos
de ponta. Até então, o Hospital dispunha de um CTI terceirizado. A
solenidade de inauguração ocorreu nas dependências do novo local, que
fica no segundo andar do prédio de entrada, com a presença de 50
convidados, entre eles os integrantes do Conselho Deliberativo da SEB;
o presidente José Paredes e sua diretoria; o diretor médico do
Hospital, José Paulo de Jesus, e diversos integrantes de suas equipes
de trabalho; profissionais do Inca e representantes do laboratório
Roche, empresa parceira que patrocinou o coquetel.
Também esteve presente, abençoando o recinto e desejando saúde e sorte
a todos, o padre Luis Roberto, da Igreja de São Crispim e de São
Crispiniano.
Poucas horas depois do evento, o CTI já recebia o primeiro paciente e,
desde então, tem estado sempre cheio. Segundo a fisioterapeuta Jimena
Icasuriaga, o lugar dispõe de um bom espaço, consegue manter um ritmo
constante em suas atividades e, além disso, oferece modernidade e
eficiência. Os aparelhos utilizados, como respiradores, ventiladores,
monitores e bombas de infusão, são de última geração e existe a
preocupação de inspecionar paciente por paciente todos os dias,
discutindo cada caso isoladamente. Não só médicos de várias
especialidades, mas enfermeiros e nutricionistas, contribuem para somar
qualidade aos resultados obtidos, conforme enfatiza Jimena.
Ainda de acordo com a fisioterapeuta, os casos que mais motivam as
internações no CTI do Hospital Espanhol são os de insuficiéncia
respiratória aguda, instabilidade hemodinámica (quando pressão e
freqüência cardfaca variam muito) e pós-operatório, a maior parte deles
atingindo um público acima dos 50.
Mas, apesar da gravidade de algumas situações, há constantemente um
grupo de plantão para atender a emergências, pois a direção de Hospital
preocupou-se em contratar pessoal exclusivo para as demandas do
CTI.
Nos planos de expansão da nova unidade, conforme adiantou o controlador
Marcelo Martins Magdalani, consta a inserção de mais três leitos nos
próximos meses. Ele ainda observou que a procura pelo Hospital vem
aumentando em função da estrutura da instituição e de seu conceito,
sobretudo no que diz respeito ao seu material humano, e que a tendência
é investir cada vez mais no CTI "por tratar-se de um setor altamente
estratégico e de valor inquestionável para a população" .
CAMINHOS CRUZADOS: UM BEBÊ NO CORAÇÃO DA SEB
A história de uma mulher de 76 anos está profundamente ligada à da
Sociedade Espanhola de Beneficência. Trata-se de Victória Eugênia
Campos do Passo, o primeiro bebê do sexo feminino nascido no Hospital
Espanhol. Com uma chegada ao mundo tão boa e um majestoso, em homenagem
a uma rainha inglesa, Eugênia soube driblar os momentos difíceis e
extrair da vida grandes namentos. Um deles: "Se quiser mudar algo em
você, precisa Ir. Nenhuma força externa fará isso em seu lugar", diz
ela, hoje enfrentando problemas de saúde.
Os pais de Eugênia se conheceram no Brasil e casaram em 1926, numa
cerimônia que contou com a presença do então cônsul espanhol, Dom
Pintado, amigo de toda a comunidade espanhola. Fixado no Rio de
Janeiro, antiga capital do país, o pai de Eugênia, Celestino Campos
Perez, passou a ajudar o irmão mais velho na administração do Hotel
Cecflia Meireles, empreendimento da família.
"Meu pai era natural de Verdóvia, onde seus parentes desenvolviam
atividades no ramo hoteleiro e gastronômico. Então, quando chegou aqui,
manteve a tradição nos negócios. No entanto, com a crise do café em
1930 e a falência de, muitos fazendeiros, o hotel perdeu parte de sua
clientela" conta Victória, explicando que, logo após, os pais dela se
separaram, sua mãe (Christalina do Pazo Novo) constituiu nova família e
o pai comprou uma fazenda em Jacarepaguá, uma das maiores fornecedoras
de mel e carne de porco da época. Mais tarde, montou um restaurante no
Pontal do Recreio.
Victória, por sua vez, trilhou um caminho diferente, longe do comércio.
Gostava de estudar e construiu um respeitável currículo: além da
formação em Letras, fez curso de secretariado, taquigrafia, inglês e o
de língua, literatura e história espanholas (em convênio com a
Universidade de Madri). Se saía tão bem no inglês, por exemplo, que
chegou a trabalhar alguns anos em Nova lorque. "De fato, tinha um
inglês pão com manteiga, até melhor do que o meu português, o que me
abriu várias portas. Mas sempre considerei o, espanhol meu idioma
materno e o utilizava nas constantes conversas com minha avó" lembra
Victória, que ainda conquistou o primeiro lugar em concurso para a
Eletrobras. Mas a vida do primeiro bebê do Hospital Espanhol sofreu uma
metamorfose em 1996, por ocasião de uma das maiores enchentes do Rio.
Ela contraiu leptospirose e pneumonia, sua casa ficou destruída e a mãe
veio a falecer, vítima também de pneumonia. Todas essas tristes
recordações Victória ameniza na companhia de 11 cães, um por um deixado
na porta de sua casa. "Nunca os comprei ou pedi", frisa ela, "mas
sabiam que eu cuidaria deles com o máximo carinho" . Os cachorros
preenchem a solidão, a ausência de filhos e a separação conjugal, que
ela atribui "ao gênio" do marido.
Em meio a uma existência que já atravessou décadas de emoções e
experiências, Eugênia mantém intactos seus vínculos com a SEB. "Nunca
me desliguei da Beneficência, nem mesmo ao trabalhar para uma empresa
que oferecia outro plano de saúde. Só diminuí a freqüência das visitas
porque moro distante e estou com a saúde meio debilitada", esclarece
ela, feliz em testemunhar o desenvolvimento do Hospital Espanhol e a
preservação de seus princípios, "a despeito do cenário político e
econômico que o País enfrenta".
Assim como o hospital, Victória Eugênia continua resistindo bravamente
aos obstáculos do caminho, trazendo uma receita de bem-estar na ponta
da língua: "Melhor fazer do que não fazer, para não carregar
arrependimentos"
Ao lado o diploma de ingresso de Vitória na SEB.
O FRIO E SEUS MISTÉRIOS
Ao contrário do que muitos pensam, as baixas temperaturas do inverno
não são diretamente responsáveis pelas gripes e resfriados tão comuns
nessa época do ano. Os problemas são provocados pela proliferação de
microorganismos em ambientes fechados, com pouca ou nenhuma ventilação,
já que costumamos trancar todas as portas e jane las do ambiente para
nos defender do frio.
A redução no consumo de líquidos durante o inverno explica algumas
reações do organismo humano. Duas delas: o mau funcionamento intestinal
e o extremo ressecamento da pele. Por isso, mesmo no frio, é preciso
ingerir dois litros de água (ou suco, por exemplo) por dia. O corpo se
ressente da falta de líquido pois 70% dele é formado de água.
Cobertores e agasalhos não esquentam tanto assim. Servem apenas para
manter a nossa temperatura, evitando a dispersão do calor. No caso de
uma hipotermia (redução excessiva da temperatura corporal), em vez de
aumentarmos a quantidade de casacos, recomenda-se um abraço apertado. A
medida terá um efeito rápido e incontestavelmente mais eficiente do que
qualquer agasalho de lã, promovendo uma abençoada troca de calor.
A sensação de fome nos dias de inverno, bem superior à que sentimos no
verão, tem uma razáo muito simples. É que nosso gasto calórico aumenta,
porque gastamos maior quantidade de energia para permanecermos
aquecidos. No entanto, apesar da fome, o inverno é a estação ideal para
regimes de emagrecimento. A gordura funciona como um combustível para a
realização de exércícios e outras tarefas, e ainda nos deixa mais
vitalizados. Se conseguirmos balacear a gula tanto melhor.
Aquele famoso arrepio característico de quem está com frio não passa,
na verdade, de um mecanismo do corpo para evitar a perda de calor. Os
vasos superficiais da pele se con traem, diminuindo a passagem de
sángue e seu e conseqüente resfriamento. Além disso, o músculo eretor
dos pêlos também se contrai e forma uma camada de ar entre eles, que
atua, como um sistema isolante térmico.
Com o ar frio e seco do inverno, as vias respiratórias sempre pagam
caro. Elas ficam irritadas e suscetíveis à ação de vírus e bactérias,
nos expondo facilmente a resfriados, gripes, rinites (alérgicas ou não)
e pneumonias. Quem quiser se revenir, deve optar por locais rejados,
bebidas pouco geladas atenção no manuseio de objetos que pertençam a
pessoas com a saúde comprometida.
Uma boa nutrição faz arte de qualquer cardápio e de qualquer estação
climática. Não esqueça , portanto, de manter no inverno uma alimentaçâo
saudável, equilibrada e mais natural, de beber bastante água e de
conservar sua casa livre de poeira e sujeira. Mantenha-se em sintonia
com o bem-estar! Deixe o resto pra depois! Quando vier o verão, você
relaxa.
A dor que dói na alma
Uma recente pesquisa da Universidade da Califórnia sustenta que a
rejeiçâo produz no cérebro humano a mesma reação que a dor física.
Assim, ser ignorado e sofrer maus tratos, por exemplo, podem estar num
só prato.
Para monitorar a relaçâo entre rejeição e dor, os pesquisadores
desenvolveram um software, um tipo de jogo, que faz com que os
participantes voluntários se sintam tolos, enganados e excluídos. 0
exame dessas pessoas constatou alteraçôes no fluxo sangüíneo em várias
partes do cérebro, principalmente na área anterior ao córtex,
geralmente associada à dor física.
Segundo a pesquisa, os resultados do estudo indicam a importância que o
sistema cerebral atribui aos laços sociais e afetivos, uma vez que o
sofrimento emocional é processado através dos mesmos neurônios que
elaboram a dor física.
DIABETES CUIDE-SE COM DOÇURA, MAS LONGE DO AÇUCAR
Na velocidade das transformações sociais, cresce o número de
diabéticos em todo o mundo. Hoje, existem cerca de 150 milhões de
pessoas acometidas pela doença, podendo dobrar nos próximos 25 anos.
Independentemente da maior longevidade e da predisposição genética,
dois fatores da vida moderna são de alto risco: o sedentarismo e a
obesidade, esta última decorrente dos maus hábitos alimentares e da
falta (quase crônica) de exercícios.
Nos Estados Unidos, segundo dados de órgãos do governo, os diabéticos
somam além de 16 miIhões, ou seja, um terço a mais do que em 1990. A
cada ano, surgem 800 novos casos. As estatísticas indicam que a faixa
etária dos 30 aos 39 é a mais afetada, com o índice de 70% de aumento
da incidência. Já no Brasil, embora não tenhamos informações tão
atualizadas, sabe-se que a quantidade de diabéticos revela o mesmo
crescimento epidêmico, à semelhança dos EUA e de tantos outros países.
Quase cinco milhões de indivíduos têm a doença, com ênfase sobretudo em
São Paulo. E, da mesma forma que ocorre lá fora, o público acima dos 40
ocupa um lugar de destaque no centro desse furacão. Nessa fase, de
acordo Com endocrinologistas, sobe a probabilidade de se manifestar a
doença ou agravá-la.
Como o diabetes abre a porta para uma série de complicações orgânicas e
processos degenerativos, deve ser controlado com o máximo rigor desde o
início. Sua progressão representa ameaça para a saúde de muitos orgãos
e pode implicar amputações de membros, perda da visão, com prometimento
renal, infarto e acidente vascular cerebral, por exemplo, a menos que o
paciente seja cuidado e regularrnente monitorado por um
especialista.
ENTENDENDO O PORQUE
O diabetes decorre da insuficiência ou ausência de produção do hormônio
chamado insulina, fabricado pelo pâncreas. A insulina permite a entrada
de glicose nas células do corpo, párá que estas consigam produzir a
energia de que necessitamos e manter as nossas funções
equilibradas.
Na falta do hormônio que regula a distribuição da glicose no organismo
e mantém seus níveis estáveis, há um acúmulo de glicose no sangue,
detectado através de exames de sangue e urina. Quem tem o problema
passa a manifestar alguns sintomas, como sede e fome intensas, micção
freqüente, câimbras, perda de peso, feridas que não cicatrizam,
alteração da visão e cansaço excessivo. O diabetes do tipo 1 e 2 são os
mais comuns e com aspectos bem diferenciados. Vejam as suas
características:
- Conhecido como diabetes mellitus, o tipo 1 se caracteriza pela
deficiência absoluta de insulina e seus portadores, em geral, estão
entre as crianças e os adultos jovens. A natureza dessa modalidade é
auto imune, ou seja, o próprio organismo gera anticorpos que impedem o
restabelecimento da saúde, numa espécie de auto-agressão. Muitas vezes,
nem mesmo os remédios respondem satisfatoriamente, havendo a indicação
do uso diário de insulina.
O segundo tip diabetes atinge normalmente pessoas mais velhas e mantém
um forte vínculo com a obesidade e o estilo de vida. Nos últimos
tempos, os médicos vêm apontando, com muita preocupação, a participação
de crianças nesse grupo. O tratamento recomendado inclui dieta,
atividades físicas e, por vezes, medicação oral. Entretanto, na maioria
dos casos, o paciente dó tipo 2 não fica dependente de insulina.
Existe, ainda, o diabetes gestacional, que se instala em mulheres
grávidas por causa de alteração da tolerância à glicose.
Valores referenciais
Em jejum de oito horas, a taxa usual de glicemia oscila de 70 a
110mg/dl. Valores intermediários, entre 110 e 126, ainda que fora do
padrão, devem ser melhor investigados para afastar o diagnóstico de
diabetes.
Após as refeições, especialmente as fartas, uma glicemia até 140mg/dl
pode até ser aceitável, mas nunca desejável. Pacientes que fogem muito
ao perfil ideal, em particular aqueles com mais de 45 anos, histórico
de obesidade e colesterol e parentes com diabetes, precisam realizar
exames a cada ano e corrigir certos hábitos nada saudáveis.
Hospital recebe muitos casos
A endocrinologista Raquel Freitas Silva, do Hospital Espanhol, atende a
um grande número de Gasos de diabetes, grande parte deles relacionada a
pacientes idosos, que são o principal público da instituição. A médica
assinala que a enfermidade vem ganhando terreno nos últimos anos, náo
tanto pelos fatores genéticos, mas em função do aumento do peso
corporal de boa parcela da populaçâo. "lamento a falta de cuidados
preventivos, pois, no caso específico do diabetes, é um problema de
saúde de difícil tratamento. Seu controle depende, basicamente, de uma
mudança no estilo de vida e na mentalidade do portador, que precisa se
conscientizar de algumas restrições impostas pelo quadro. Por isso,
quanto antes se prevenir, melhor", orienta Raquel.
No que diz respeito ao tratamento, a endocrinologista sempre costuma
recomendar uma dieta balanceada e, quando necessário, remédio para
estimular a produção de insulina. Sugere, ainda, o monitoramento da
glicemia capilar, feita por um pequeno aparelho chamado glicosímetro.
"0 paciente faz exame de sangue de dois em dois meses para controle da
doença e a glicemia capilar diariamente. Ele faz um pequeno furo no
dedo, e o aparelho indica a taxa de glicose através da amostra de
sangue retirada", explica Raquel, lembrando que estes aparelhos estão
disponíveis no mercado, mas suas fitas ainda têm alto custo.
CIRURGIA PLÁSTICA: AJUSTES NA SILHUETA E NA SAÚDE
Os problemas que uma operação pode melhorar e até resolver
Quem não quer viver mais... e melhor? Com a velocidade das descobertas
científicas nas últimas décadas, proporcionando um aumento
significativo da longevidade da população, a qualidade de vida passou a
ser o centro das atenções de milhares de pessoas. E entre as maravilhas
que podem nos trazer esse sonhado bem-estar, estão as modernas técnicas
de cirurgia plástica.
Não, não estamos falando simplesmente da operação com fins estéticos,
para tornar os traços do rosto e as formas do corpo supersedutoras. A
plástica tem o poder de oferecer resultados ainda mais inestimáveis
quando utilizada para minimizar ou reparar seqüelas causadas por
acidentes, doenças ou pelo próprio tempo.
No Hospital Espanhol, por exemplo, o maior número de operações
plásticas apresenta finalidade reparadora, com ênfase nos casos de
lesões de pele conhecidos por carcinomas, bastante comuns na faixa da
terceira idade. Os carcinomas são os tipos mais freqüentes de câncer de
pele e se apresentam sob a forma de feridas que sangram e demoram a
cicatrizar - e, às vezes, nem mesmo cicatrizam. Dependendo da extensão
e gravidade do carcinoma, quando tratado cirurgicamente, costuma deixar
cicatrizes bastante aparentes e incômodas para o seu portador.
Segundo a médica Márcia Cardoso da Cunha Brandão, da equipe do Hospital
Espanhol, a proporção no atendimento em cirurgia plástica é de três
idosos para um jovem, ainda que a estatística de operações em
decorrência de acidentes (uma grande parte envolvendo adolescentes) não
seja desprezível. Outro cirurgião plástico da instituição , Lino Pazos
Rodriguez, confirma com uma pesquisa - feita entre 1993 e 1998 - a
grande procura por operações entre o público idoso , decorrentes de
casos de carcinomas. Em geral, os pacientes são encamínhados através de
dermatologistas e constituem um grupo homogêneo física e culturalmente:
imigrante espanhol, de pele bem clara e muito sensível, com anos a fio
de exposição ao sol já a partir da infância.
Mas, ainda hoje, a despeito de todo o avanço da medicina e do maior
acesso aos tratamentos, há fatores que continuam impedindo a busca pela
auto-estima através da cirurgia plástica. Um deles é o mito que cerca a
anestesia. De acordo com a dra. Márcia, existe um grande temor em
relação ao uso da anestesia, sobretudo da parte dos mais idosos, embora
ela garanta que este procedimento é cercado de cuidados e praticamente
não implica riscos para os pacientes. "A imprensa faz alarde em torno
da anestesia por puro sensacionalismo", argumenta a médica, "mas as
complicações são raras". O dr. Lino concorda: "Hoje, há exames para
mensurar e prevenir os riscos cirúrgicos. Todas as etapas pré e
pós-operatórias podem ser melhor controladas"
E a cirurgia estética, aquela que talvez não seja tão fundamental, mas
passa pela delicada área da vaidade e do melhor relacionamento com o
espelho? Embora esse tipo de operação não constitua o carro-chefe da
área de cirurgia plástica do Hospital Espanhol, os drs. Lino e Márcia
admitem que vem se popularizando e que há situações em que eles mesmos
reconhecem a importância de sua realização. "Acho que uma operação
desta natureza se justifica quando se busca harmonizar as feições. Por
outro lado, não nos cabe interferir na vontade do paciente e nem
instruí-lo a fazer além do que nos solicita. Só convém aconselhá-lo na
hipótese de uma cirurgia que vai descaracterizar traços raciais,
pertinentes à sua identificação e origem", observa o dr. Lino.
Atualmente, as cirurgias estéticas mais procuradas no Hospital Espanhol
são as de abdominoplastia (redução do abdômem) e implante de silicone
nas mamas. É recomendável que elas sejam planejadas com alguma
antecedência para que o paciente chegue à mesa de operações com um peso
adequado, evitando comprometer o que conquistou com sucessivos regimes
de emagrecimento posteriores, fonte de flacidez e estrias. Mas a
prática de exercícios fará parte, necessáriamente, da rotina daqueles
que pretendem continuar esbeltos.

