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Revista n°. 11

REVISTA DO HOSPITAL ESPANHOL N° 11

Índice

 

EDITORIAL

De novo apostando no crescimento.


Caros sócios:

Na condição de atual presidente do Conselho Deliberativo da SEB, eleito em maio de 2004 para um mandato de dois anos, quero fazer a todos vocês, e também aos nossos parceiros e comunidade em geral, algumas importantes observações. E nada melhor do que fazê-lo no primeiro número da Revista do Hospital Espanhol posterior à eleição.

Em primeiro lugar, desejo esclarecer que, apesar da mudança do Conselho - o primeiro eleito após a refor­ma de estatuto da SEB -, a filosofia da Beneficéncia Espanhola continua a mesma. De certa forma, ainda é igual à dos primórdios da entidade, assentada no princípio de um empreendedorismo com ética e solidariedade. A diferença é que, através dos tempos, aprende­mos a caminhar melhor, a fazer melhor, a nos profissionalizar, tanto para apresentar ao mercado serviços atraentes e competitivos - com qualidade a preço justo -, como para manter nosso trabalho beneficente em favor do público mais carente. A experiência nos dá a certeza de que, quanto mais nos aperfeiçoarmos, mais teremos condições de oferecer à sociedade uma medicina de primeira; mais benefícios poderemos implementar para os usuários do plano de saúde da SEB e conveniados; mais reconhecimento e respeito conquistaremos do cidadão do Rio e de todo o pafs.

Como segunda observação, ressalto que a trajetória do Hospital Espanhol, do qual a SEB é mantenedora, fala por si só. Basta ver o número de especialidades médicas, a infra-estrutura física e de equipamentos, o avanço dos setores mais especializados, como os CTIs... Há, de fato, muitas novidades no Hospital Espanhol, muitos avanços, fruto de um investimento maduro e consciente em suas equipes, em melhores instalações, e em mais conforto e segurança para o paciente.

Por fim, cabe falar do futuro. A despeito do tanto que já semeamos para chegar até aqui, a SEB planeja vôos ainda maiores. A passos largos, o Hospital Espanhol avança em direção à sua autonomia na maior parte dos serviços prestados, recorrendo a terceirizações somente nos campos onde a medida se apresente como a única solução viável economicamente ou com uma carga de vantagens adicionais para nossos clientes.

Agora, nada me resta senão desejar boa sorte à diretoria recém-empossada e aos meus companheiros de Conselho.

Lembro, porém, que a nova administraçáo da SEB, à semelhança da gestão anterior, considerará bem-vinda qualquer sugestão, qualquer carta, qualquer comentário - particular ou público, por meio da revista ­desde que a intenção seja somar e crescer. Se dependesse apenas de esforços solitários, o Hospital Espanhol nunca ocuparia o lugar de hoje e nem desfrutaria de um conceito tão bom. A união de esforços, somada à força dos ideais, sempre consegue produzir verdadeiros milagres.

José Baña Lois (Presidente do Conselho Deliberativo da SEB)

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REGINA DEIXA O CONSELHO DELIBERATIVO

Em 12 de malo, Regina Jallas Suárez Figueira deixou a presidência do Conselho Deliberativo da Sociedade Espanhola de Beneficência. Durante cerca de quatro anos, esta administradora de empresas, nascida em Santa Comba, Galícia, presidiu 15 reuniões do Conselho, sendo 11 ordinárias e quatro extraordinárias. Entre as reuniões ordinárias, a mais importante é a que acontece no mês de março, que trata da apresentação do relatório econômico-financeiro anual da enti­dade. Das reuniões extraordinárias, a que mereceu maior destaque foi a que aprovou a reforma dos estatutos da SEB e a criação do regimento interno do Conselho.

Na despedida do cargo, Regina Jallas quis expressar os seus agradecimentos e falar um pouco de sua experiência de trabalho.

- Sinto-me honrada e orgulhosa de ter presidido o Conselho, porque, na minha opi­nião, somente conselheiros que tenham prestado relevantes serviços ao Hospital Espanhol deveriam ser presenteados com essa indicação. Na ocasião em que assumi, confesso que não me sentia capaz para o desafio e nem merecedora. Mas comecei a aprofundar meus conhecimentos sobre os diversos setores e departamentos da SEB ao participar das reuniões de diretoria, um dever estatutário, e do dia-a-dia do hospital. Gostaria de aproveitar a oportunidade para expressar o meu mais sincero agradecimento tanto aos conselheiros - que, por duas vezes, confiaram em mim para representá-los junto à diretoria e conduzir as nossas reuniões -, como às duas gestões das quais fiz parte. Também sou profundamente grata aos funcionários do Hospital Espanhol, sobretudo à Verônica, secretária da diretoria, e ao Benjamin, o administrador.

Regina chegou corn a família ao Brasil em 1959, ainda menina, e na juventude passou a freqüentar o Clube Ibéria e a Casa de Galícia. Em 1989, iniciou suas atividades nas entidades espanholas, sendo convidada para diretora da Comunidade Hispânica de Assistência Social (CHAS). Um ano depois, atuou como secretária e, em 1992, tornou-se a primeira mulher a assumir a presidênca daquela instituição.

Na Beneficência Espanhola, Regina cumpriu importantes papéis. Primeiro elegeu-se conselheira e secretariou a mesa, no tempo em que o Conselho tinha como presidente o saudoso Manuel Taboada Quintas. Depois substituiu Taboada, ao término do mandato, função que cumpriu até maio último. No momento, além de ser suplente na diretoria de José Paredes Gerpe e membro do ConseIho da SEB, ela dirige a área cultural da Casa de España.

Apesar dos inúmeros compromissos, Regina deixa transparecer que não pensa em parar. Afirma que, enquanto dispuser de tempo livre e sentir que pode ser útil para a colônia espanhola, estará à disposição das entidades. Ela entende que este é o período de sua geração dar continuidade ao desenvolvimento e à modernização das instituições criadas com o esforço dos imigrantes.

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CTI MAIS UMA CONQUISTA FUNDAMENTAL

Com o olhar sempre atento às necessidades da comunidade e ao próprio fortalecimento da instituição, a diretoria do Hospital Espanhol inaugurou um importante serviço em 12 de abril último: um Centro de Tratamento Intensivo próprio, composto de seis leitos e de equipamentos de ponta. Até então, o Hospital dispunha de um CTI terceirizado. A solenidade de inauguração ocorreu nas dependências do novo local, que fica no segundo andar do prédio de entrada, com a presença de 50 convidados, entre eles os integrantes do Conselho Deliberativo da SEB; o presidente José Paredes e sua diretoria; o diretor médico do Hospital, José Paulo de Jesus, e diversos integrantes de suas equipes de trabalho; profissionais do Inca e representantes do laboratório Roche, empresa parceira que patrocinou o coquetel. 
Também esteve presente, abençoando o recinto e desejando saúde e sorte a todos, o padre Luis Roberto, da Igreja de São Crispim e de São Crispiniano.

Poucas horas depois do evento, o CTI já recebia o primeiro paciente e, desde então, tem estado sempre cheio. Segundo a fisioterapeuta Jimena Icasuriaga, o lugar dispõe de um bom espaço, consegue manter um ritmo constante em suas atividades e, além disso, oferece modernidade e eficiência. Os aparelhos utilizados, como respiradores, ventiladores, monitores e bombas de infusão, são de última geração e existe a preocupação de inspecionar paciente por paciente todos os dias, discutindo cada caso isoladamente. Não só médicos de várias especialidades, mas enfermeiros e nutricionistas, contribuem para somar qualidade aos resultados obtidos, conforme enfatiza Jimena.

Ainda de acordo com a fisioterapeuta, os casos que mais motivam as internações no CTI do Hospital Espanhol são os de insuficiéncia respiratória aguda, instabilidade hemodinámica (quando pressão e freqüência cardfaca variam muito) e pós-operatório, a maior parte deles atingindo um público acima dos 50.

Mas, apesar da gravidade de algumas situações, há constantemente um grupo de plantão para atender a emergências, pois a direção de Hospital preocupou-se em contratar pessoal exclu­sivo para as demandas do CTI.
Nos planos de expansão da nova unidade, conforme adiantou o controlador Marcelo Martins Magdalani, consta a inserção de mais três leitos nos próximos meses. Ele ainda observou que a procura pelo Hospital vem aumentando em função da estrutura da instituição e de seu conceito, sobretudo no que diz respeito ao seu material humano, e que a tendência é investir cada vez mais no CTI "por tratar-se de um setor altamente estratégico e de valor inquestionável para a população" .

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CAMINHOS CRUZADOS: UM BEBÊ NO CORAÇÃO DA SEB

A história de uma mulher de 76 anos está profundamente ligada à da Sociedade Espanhola de Beneficência. Trata-se de Victória Eugênia Campos do Passo, o primeiro bebê do sexo feminino nascido no Hospital Espanhol. Com uma chegada ao mundo tão boa e um majestoso, em homenagem a uma rainha inglesa, Eugênia soube driblar os momentos difíceis e extrair da vida grandes namentos. Um deles: "Se quiser mudar algo em você, precisa Ir. Nenhuma força externa fará isso em seu lugar", diz ela, hoje enfrentando problemas de saúde.

Os pais de Eugênia se conheceram no Brasil e casaram em 1926, numa cerimônia que contou com a presença do então cônsul espanhol, Dom Pintado, amigo de toda a comunidade espanhola. Fixado no Rio de Janeiro, antiga capital do país, o pai de Eugênia, Celestino Campos Perez, passou a ajudar o irmão mais velho na administração do Hotel Cecflia Meireles, empreendimento da família.

"Meu pai era natural de Verdóvia, onde seus parentes desenvolviam atividades no ramo hoteleiro e gastronômico. Então, quando chegou aqui, manteve a tradição nos negócios. No entanto, com a crise do café em 1930 e a falência de, muitos fazendeiros, o hotel perdeu parte de sua clientela" conta Victória, explicando que, logo após, os pais dela se separaram, sua mãe (Christalina do Pazo Novo) constituiu nova família e o pai comprou uma fazenda em Jacarepaguá, uma das maiores fornecedoras de mel e carne de porco da época. Mais tarde, montou um restaurante no Pontal do Recreio.

Victória, por sua vez, trilhou um caminho diferente, longe do comércio. Gostava de estudar e construiu um respeitável currículo: além da formação em Letras, fez curso de secretariado, taquigrafia, inglês e o de língua, literatura e história espanholas (em convênio com a Universidade de Madri). Se saía tão bem no inglês, por exemplo, que chegou a trabalhar alguns anos em Nova lorque. "De fato, tinha um inglês pão com manteiga, até melhor do que o meu português, o que me abriu várias portas. Mas sempre considerei o, espanhol meu idioma materno e o utilizava nas constantes conversas com minha avó" lembra Victória, que ainda conquistou o primeiro lugar em concurso para a Eletrobras. Mas a vida do primeiro bebê do Hospital Espanhol sofreu uma metamorfose em 1996, por ocasião de uma das maiores enchentes do Rio. Ela contraiu leptospirose e pneumonia, sua casa ficou destruída e a mãe veio a falecer, vítima também de pneumonia. Todas essas tristes recordações Victória ameniza na companhia de 11 cães, um por um deixado na porta de sua casa. "Nunca os comprei ou pedi", frisa ela, "mas sabiam que eu cuidaria deles com o máximo carinho" . Os cachorros preenchem a solidão, a ausência de filhos e a separação conjugal, que ela atribui "ao gênio" do marido.

 Em meio a uma existência que já atravessou décadas de emoções e experiências, Eugênia mantém intactos seus vínculos com a SEB. "Nunca me desliguei da Beneficência, nem mesmo ao trabalhar para uma empresa que oferecia outro plano de saúde. Só diminuí a freqüência das visitas porque moro distante e estou com a saúde meio debilitada", esclarece ela, feliz em testemunhar o desenvolvimento do Hospital Espanhol e a preservação de seus princípios, "a despeito do cenário político e econômico que o País enfrenta".

Assim como o hospital, Victória Eugênia continua resistindo bravamente aos obstáculos do caminho, trazendo uma receita de bem-estar na ponta da língua: "Melhor fazer do que não fazer, para não carregar arrependimentos"

Ao lado o diploma de ingresso de Vitória na SEB.

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O FRIO E SEUS MISTÉRIOS

Ao contrário do que muitos pensam, as baixas temperaturas do inverno não são diretamente responsáveis pelas gripes e resfriados tão comuns nessa época do ano. Os problemas são provocados pela proliferação de microorganismos em ambientes fechados, com pouca ou nenhuma ventilação, já que costumamos trancar todas as portas e jane las do ambiente para nos defender do frio.

A redução no consumo de líquidos durante o inverno explica algumas reações do organismo humano. Duas delas: o mau funcionamento intestinal e o extremo ressecamento da pele. Por isso, mesmo no frio, é preciso ingerir dois litros de água (ou suco, por exemplo) por dia. O corpo se ressente da falta de líquido pois 70% dele é formado de água.

Cobertores e agasalhos não esquentam tanto assim. Servem apenas para manter a nossa temperatura, evitando a dispersão do calor. No caso de uma hipotermia (redução excessiva da temperatura corporal), em vez de aumentarmos a quantidade de casacos, recomenda-se um abraço apertado. A medida terá um efeito rápido e incontestavelmente mais eficiente do que qualquer agasalho de lã, promovendo uma abençoada troca de calor.

 
A sensação de fome nos dias de inverno, bem superior à que sentimos no verão, tem uma razáo muito simples. É que nosso gasto calórico aumenta, porque gastamos maior quantidade de energia para permanecermos aquecidos. No entanto, apesar da fome, o inverno é a estação ideal para regimes de emagrecimento. A gordura funciona como um combustível para a realização de exércícios e outras tarefas, e ainda nos deixa mais vitalizados. Se conseguirmos balacear a gula tanto melhor.

Aquele famoso arrepio característico de quem está com frio não passa, na verdade, de um mecanismo do corpo para evitar a perda de calor. Os vasos superficiais da pele se con traem, diminuindo a passagem de sángue e seu e conseqüente resfriamento. Além disso, o músculo eretor dos pêlos também se contrai e forma uma camada de ar entre eles, que atua, como um sistema isolante térmico.

Com o ar frio e seco do inverno, as vias respiratórias sempre pagam caro. Elas ficam irritadas e suscetíveis à ação de vírus e bactérias, nos expondo facilmente a resfriados, gripes, rinites (alérgicas ou não) e pneumonias. Quem quiser se revenir, deve optar por locais rejados, bebidas pouco geladas atenção no manuseio de objetos que pertençam a pessoas com a saúde comprometida.

Uma boa nutrição faz arte de qualquer cardápio e de qualquer estação climática. Não esqueça , portanto, de manter no inverno uma alimentaçâo saudável, equilibrada e mais natural, de beber bastante água e de conservar sua casa livre de poeira e sujeira. Mantenha-se em sintonia com o bem-estar! Deixe o resto pra depois! Quando vier o verão, você relaxa.


A dor que dói na alma

Uma recente pesquisa da Universidade da Califórnia sustenta que a rejeiçâo produz no cérebro humano a mesma reação que a dor física. Assim, ser ignorado e sofrer maus tratos, por exemplo, podem estar num só prato.

Para monitorar a relaçâo entre rejeição e dor, os pesquisadores desenvolveram um software, um tipo de jogo, que faz com que os participantes voluntários se sintam tolos, enganados e excluídos. 0 exame dessas pessoas constatou alteraçôes no fluxo sangüíneo em várias partes do cérebro, principalmente na área anterior ao córtex, geralmente associada à dor física.

Segundo a pesquisa, os resultados do estudo indicam a importância que o sistema cerebral atribui aos laços sociais e afetivos, uma vez que o sofrimento emocional é processado através dos mesmos neurônios que elaboram a dor física.

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DIABETES CUIDE-SE COM DOÇURA, MAS LONGE DO AÇUCAR

Na velocidade das transformações sociais, cresce o número de diabéticos em todo o mundo. Hoje, existem cerca de 150 milhões de pessoas acometidas pela doença, podendo dobrar nos próximos 25 anos. Independentemente da maior longevidade e da pre­disposição genética, dois fatores da vida moderna são de alto risco: o sedentarismo e a obesidade, esta última decorrente dos maus hábitos alimentares e da falta (quase crônica) de exercícios.

Nos Estados Unidos, segundo dados de órgãos do governo, os diabéticos somam além de 16 miIhões, ou seja, um terço a mais do que em 1990. A cada ano, surgem 800 novos casos. As estatísticas indicam que a faixa etária dos 30 aos 39 é a mais afetada, com o índice de 70% de aumento da incidência. Já no Brasil, embora não tenhamos informações tão atualizadas, sabe-se que a quantidade de diabéticos revela o mesmo crescimento epidêmico, à semelhança dos EUA e de tantos outros países. Quase cinco milhões de indivíduos têm a doença, com ênfase sobretudo em São Paulo. E, da mesma forma que ocorre lá fora, o público acima dos 40 ocupa um lugar de destaque no centro desse furacão. Nessa fase, de acordo Com endocrinologistas, sobe a probabilidade de se manifestar a doença ou agravá-la.

Como o diabetes abre a porta para uma série de complicações orgânicas e processos degenerativos, deve ser controlado com o máximo rigor desde o início. Sua progressão representa ameaça para a saúde de muitos orgãos e pode implicar amputações de membros, perda da visão, com prometimento renal, infarto e acidente vascular cerebral, por exemplo, a menos que o paciente seja cuidado e regularrnente monitorado por um especialista.


ENTENDENDO O PORQUE

O diabetes decorre da insuficiência ou ausência de produção do hormônio chamado insulina, fabricado pelo pâncreas. A insulina permite a entrada de glicose nas células do corpo, párá que estas consigam produzir a energia de que necessitamos e manter as nossas funções equilibradas.

Na falta do hormônio que regula a distribuição da glicose no organismo e mantém seus níveis estáveis, há um acúmulo de glicose no sangue, detectado através de exames de sangue e urina. Quem tem o problema passa a manifestar alguns sintomas, como sede e fome intensas, micção freqüente, câimbras, perda de peso, feridas que não cicatrizam, alteração da visão e cansaço excessivo. O diabetes do tipo 1 e 2 são os mais comuns e com aspectos bem diferenciados. Vejam as suas características:


 
- Conhecido como diabetes mellitus, o tipo 1 se caracteriza pela deficiência absoluta de insulina e seus portadores, em geral, estão entre as crianças e os adultos jovens. A natureza dessa modalidade é auto­ imune, ou seja, o próprio organismo gera anticorpos que impedem o restabelecimento da saúde, numa espécie de auto-agressão. Muitas vezes, nem mesmo os remédios respondem satisfatoriamente, havendo a indicação do uso diário de insulina.

O segundo tip diabetes atinge normalmente pessoas mais velhas e mantém um forte vínculo com a obesidade e o estilo de vida. Nos últimos tempos, os médicos vêm apontando, com muita preocupação, a participação de crianças nesse grupo. O tratamento recomendado inclui dieta, atividades físicas e, por vezes, medicação oral. Entretanto, na maioria dos casos, o paciente dó tipo 2 não fica dependente de insulina.

Existe, ainda, o diabetes gestacional, que se instala em mulheres grávidas por causa de alteração da tolerância à glicose.

Valores referenciais

Em jejum de oito horas, a taxa usual de glicemia oscila de 70 a 110mg/dl. Valores intermediários, entre 110 e 126, ainda que fora do padrão, devem ser melhor investigados para afastar o diagnóstico de diabetes.

Após as refeições, especialmente as fartas, uma glicemia até 140mg/dl pode até ser aceitável, mas nunca desejável. Pacientes que fogem muito ao perfil ideal, em particular aqueles com mais de 45 anos, histórico de obesidade e colesterol e parentes com diabetes, precisam realizar exames a cada ano e corrigir certos hábitos nada saudáveis.

Hospital recebe muitos casos

A endocrinologista Raquel Freitas Silva, do Hospital Espanhol, atende a um grande número de Gasos de diabetes, grande parte deles relacionada a pacientes idosos, que são o principal público da instituição. A médica assinala que a enfermidade vem ganhando terreno nos últimos anos, náo tanto pelos fatores genéticos, mas em função do aumento do peso corporal de boa parcela da populaçâo. "lamento a falta de cuidados preventivos, pois, no caso específico do diabetes, é um problema de saúde de difícil tratamento. Seu controle depende, basicamente, de uma mudança no estilo de vida e na mentalidade do portador, que precisa se conscientizar de algumas restrições impostas pelo quadro. Por isso, quanto antes se prevenir, melhor", orienta Raquel.

No que diz respeito ao tratamento, a endocrinologista sempre costuma recomendar uma dieta balanceada e, quando necessário, remédio para estimular a produção de insulina. Sugere, ainda, o monitoramento da glicemia capilar, feita por um pequeno aparelho chamado glicosímetro. "0 paciente faz exame de sangue de dois em dois meses para controle da doença e a glicemia capilar diariamente. Ele faz um pequeno furo no dedo, e o aparelho indica a taxa de glicose através da amostra de sangue retirada", explica Raquel, lembrando que estes aparelhos estão disponíveis no mercado, mas suas fitas ainda têm alto custo.

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CIRURGIA PLÁSTICA: AJUSTES NA SILHUETA E NA SAÚDE

Os problemas que uma operação pode melhorar e até resolver

Quem não quer viver mais... e melhor? Com a velocidade das descobertas científicas nas últimas décadas, proporcionando um aumento significativo da longevidade da população, a qualidade de vida passou a ser o centro das atenções de milhares de pessoas. E entre as maravilhas que podem nos trazer esse sonhado bem-estar, estão as modernas técnicas de cirurgia plástica.

Não, não estamos falando simplesmente da operação com fins estéticos, para tornar os traços do rosto e as formas do corpo super­sedutoras. A plástica tem o poder de oferecer resultados ainda mais inestimáveis quando utilizada para minimizar ou reparar seqüelas causadas por acidentes, doenças ou pelo próprio tempo.

No Hospital Espanhol, por exemplo, o maior número de operações plásticas apresenta finalidade reparadora, com ênfase nos casos de lesões de pele conhecidos por carcinomas, bastante comuns na faixa da terceira idade. Os carcinomas são os tipos mais freqüentes de câncer de pele e se apresentam sob a forma de feridas que sangram e demoram a cicatrizar - e, às vezes, nem mesmo cicatrizam. Dependendo da extensão e gravidade do carcinoma, quando tratado cirurgicamente, costuma deixar cicatrizes bastante aparentes e incômodas para o seu portador.

Segundo a médica Márcia Cardoso da Cunha Brandão, da equipe do Hospital Espanhol, a proporção no atendimento em cirurgia plástica é de três idosos para um jovem, ainda que a estatística de operações em decorrência de acidentes (uma grande parte envolvendo adolescentes) não seja desprezível. Outro cirurgião plástico da instituição , Lino Pazos Rodriguez, confirma com uma pesquisa - feita entre 1993 e 1998 - a grande procura por operações entre o público idoso , decorrentes de casos de carcinomas. Em geral, os pacientes são encamínhados através de dermatologistas e constituem um grupo homogêneo física e culturalmente: imigrante espanhol, de pele bem clara e muito sensível, com anos a fio de exposição ao sol já a partir da infância.
 
Mas, ainda hoje, a despeito de todo o avanço da medicina e do maior acesso aos tratamentos, há fatores que continuam impedindo a busca pela auto-estima através da cirurgia plástica. Um deles é o mito que cerca a anestesia. De acordo com a dra. Márcia, existe um grande temor em relação ao uso da anestesia, sobretudo da parte dos mais idosos, embora ela garanta que este procedimento é cercado de cuidados e praticamente não implica riscos para os pacientes. "A imprensa faz alarde em torno da anestesia por puro sensacionalismo", argumenta a médica, "mas as complicações são raras". O dr. Lino concorda: "Hoje, há exames para mensurar e prevenir os riscos cirúrgicos. Todas as etapas pré e pós-operatórias podem ser melhor controladas"

E a cirurgia estética, aquela que talvez não seja tão fundamental, mas passa pela delicada área da vaidade e do melhor relacionamento com o espelho? Embora esse tipo de operação não constitua o carro-chefe da área de cirurgia plástica do Hospital Espanhol, os drs. Lino e Márcia admitem que vem se popularizando e que há situações em que eles mesmos reconhecem a importância de sua realização. "Acho que uma operação desta natureza se justifica quando se busca harmonizar as feições. Por outro lado, não nos cabe interferir na vontade do paciente e nem instruí-lo a fazer além do que nos solicita. Só convém aconselhá-lo na hipótese de uma cirurgia que vai descaracterizar traços raciais, pertinentes à sua identificação e origem", observa o dr. Lino.

Atualmente, as cirurgias estéticas mais procuradas no Hospital Espanhol são as de abdominoplastia (redução do abdômem) e implante de silicone nas mamas. É recomendável que elas sejam planejadas com alguma antecedência para que o paciente chegue à mesa de operações com um peso adequado, evitando comprometer o que conquistou com sucessivos regimes de emagrecimento posteriores, fonte de flacidez e estrias. Mas a prática de exercícios fará parte, necessáriamente, da rotina daqueles que pretendem continuar esbeltos.

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