Ferramentas Pessoais
Você está aqui: Página Inicial BIBLIOTECA Revistas Revista n°. 17

Revista n°. 17

REVISTA DO HOSPITAL ESPANHOL N° 17

ÍNDICE

 

EDITORIAL

Hora de despedida

Ao sentar para redigir o editorial da última revista da atual gestão, que corresponde ao meu terceiro mandato, muitas lembranças me passam pela cabeça. Volto um pouco no tempo e revivo momentos difíceis: não só fases de crescimento, mas de grandes desafios, felizmente superados.

A verdade é que, ao assumirmos há alguns anos a administração da SEB, eu e minha diretoria fomos pouco a pouco nos dando conta do quão grande era nossa responsabilidade. Quando me vi, pela primeira vez, na condição de presidente, tendo que gerir a vida financeira da SEB, os seus mil sócios e centenas de funcionários, ainda não dimensionava o tamanho da luta que me esperava, embora estivesse cheio de gás para enfrentar essa batalha.

Mas, unidos desde o início, logo traçamos metas, discu­timos soluções e resolvemos arregaçar as mangas, dispostos a fazer da SEB uma organização melhor e mais eficiente do que já era. Para tanto, estávamos dispostos, inclusive, a adotar medidas nem sempre populares, desde que isso representasse qualidade e benefício para os associados. Posso garantir que fizemos mais do que os olhos podem alcançar, já que muitas de nossas realizações não são palpáveis e nem visíveis, mas, de fato, revertemos situações que, mais cedo ou mais tarde, implicariam sérias dificuldades para manter nossa boa estrutura de hoje.

Como presidente de uma instituição de quase 147 anos de existência, aprendi importantes lições no meu percurso, sobretudo a conviver com as ansiedades alheias, direta e indiretamente, e com críticas às vezes bastante pesadas, que em cer­tas ocasiões até me levaram a questionar se trilhávamos o caminho certo. Mas seguimos em frente, conscientes de desenvolver um trabalho que visava dias cada vez melhores.

Em um balanço geral, afirmo a todos vocês que encarar turbulências e vencê-las valeu a pena, mesmo considerando as horas em que tive de abrir mão de conviver com esposa e fiIhos. Sei que, um dia, minha família saberá entender perfeitamente a minha opção de entrar para a SEB, assim como agora entendo a disponibilidade de meu pai quando se dedicou de corpo e alma à Sociedade.

Por fim, despedindo-me da presidência, orgulho-me em declarar que avançamos bastante e que podemos desfrutar, atualmente, de um hospital à altura da comunidade espanhola e da comunidade do Rio, ainda que haja uma série de degraus a serem galgados pelas próximas diretorias. Assim, estimo que os futuros administradores da SEB dêem o melhor de si, concretizando novas conquistas, e agradeço àqueles que nos prestaram apoio e confiança para chegarmos até aqui.
Muito obrigado.

José Paredes Gerpe

Presidente da SEB

voltar ao índice

 

DOENÇA AUTO-IMUNE - PACIENTES SÃO VÍTIMAS E TAMBÉM “AUTORES” DESSE MAL

Imagine um time de futebol atacado por um surto enlouquecedor, em que os jogadores saem marcando gol desvairadamente contra a própria equipe. É isso o que o corpo faz quando acometido por doenças auto-imunes. O sistema de defesa do organismo (chamado de imunológico) deixa de reconhecer o próprio corpo e, em vez de combater apenas inimigos, como vírus e bactérias, passa a atacar células ou tecidos saudáveis do organismo.

Não é à toa que as doenças auto­imunes tanto assustam. De início, o paciente sente dificuldade de compreender que, além de vítima, é "autor" desse mecanismo de agressão. Até mesmo os médicos ainda não entendem com clareza as razões de tamanho descotrole do corpo e nem conseguem cura­lo de modo definitivo. Porém, já há remédios para cuidar dos sintomas e os novos tratamentos vêm dando esperança àqueles que sofrem com essas espécies de enfermidade.
 

 Só nos Estados Unidos, são 50 milhões de pessoas por ano diagnosticadas como portadoras de doença auto-imune. Médicos e pesquisadores presumem que o mal chegue a atingir de 15 a 20% da população mundial, fazendo das mulheres suas maiores vítimas. Ao todo, existem quase 30 tipos de doença auto-imune, cada qual com seus respectivos sintomas e atingindo um diferente órgão.

Hipóteses se contradizem
Segundo imunologistas, uma das hipóteses para a causa das doenças auto-imunes seria o fato de as pessoas, hoje, não desenvolverem tantas infecções, o que talvez regularizasse a ação do sistema imunológico. Neste caso, en­tão, nossas células poderiam estar superativadas, em constante estado de alerta. Por outro lado, alguns estudos indicam o contrário: que as doenças in­fecciosas é que afetariam o funcionamento do sistema imunológico. Na febre reumática, por exemplo, sabe-se que o organismo ataca células do coração por confundi-las com um aminoácido presente na bactéria estreptococo.

Hipóteses à parte, a maioria dos profissionais de saúde concorda pelo menos num ponto: o indivíduo só desenvolve uma doença auto-imune se tiver predisposição genética, se apresentar um certo desequilíbrio imunológico e se, ainda, o problema for desencadeado por fatores do ambiente externo, como exposição ao sol ou situação estressante. Além disso, quem já é por­tador de doença auto-imune tem maior chance de desenvolver outras do mesmo gênero.
 

Sem dúvida, existe um outro ele­mento de reforço da doença auto-imune: a ponte entre o nosso estado emocional e o nosso sistema imunológico. Uma área da medicina, a psiconeuroendocrinoimunologia, vem se debruçando sobre essa questão, sugerindo uma série de laços estreitos nessa relação. Um deles: os corticóides produzidos em horas de tensão diminuem a defesa imunológica do organismo e nos colocam mais à mercê de enfermidades.

Cabe ressaltar, aqui, a necessidade de visitas periódicas ao médico, pois muitos só descobrem que são portadores de doença auto-imune através de algum exame, já que ainda não possuem sintomas. Daí a importância de se ficar atento aos menores sinais de mudança do corpo, aparente ou não, buscando ajuda especializada para diagnóstico precoce. De todo modo, uma série de tratamentos encontram-se disponíveis no mercado, sobretudo com drogas biológicas, sem falar de analgésicos, antiinflamatórios e outros meios eficientes no controle da dor e das inflamações decorrentes da enfermidade.

Mas, atenção! Tanto ou mais do que qualquer medicação, a ação de grupos de apoio, de amigos e familiares, combinada a exercícios físicos supervisionados e a uma série de terapias (fisioterapia, acupuntura etc.), pode garantir uma boa qualidade de vida às pessoas acometidas por doença auto-imune. Afinal, se o problema nasce internamente, quando um amigo se transforma em inimigo, a cura também pode vir de dentro. De uma cabeça mais leve, um dia-a-dia mais tranqüilo, e da certeza de que tudo pode se transformar.

Algumas doenças auto-imunes
Artrite reumatóide, esclerose múltipla, esclerodermia, diabetes mellitus, doença de Basedow-Graves, tireoidite de Hashimoto, doenças crônicas intestinais, lupus eritematoso, psoríase, vitiligo e síndrome de Sjógren.
 

voltar ao índice

 

LIVRO MOSTRA LUTA E GARRA NA TRAJETÓRIA DA SEB

A comunidade espanhola do Rio de Janeiro vai receber, enfim, uma homenagem à altura de sua história: um livro que resgata a memória dos 146 anos de vida, lutas e avanços da SEB, entidade estreitamente vinculada à vida dos imigrantes espanhóis.

A idéia partiu do presidente da instituição, José Paredes Gerpe, que sabia da existência de um vasto e precioso material documental, porém disperso. A historiadora Paula Salgado foi chamada, então, para coletar e organizar todos esses papéis, e a partir deles reconstruir os passos da criação da Sociedade Espanhola de Beneficência. Nesse processo, houve a atuação estratégica de Mercedes Danza, diretora de marketing, coordenando e apoiando a realização do projeto.

Segundo Paula, refazer uma trajetória de mais de um século constituiu verdadeiro desafio. Desde 2001 , ela se empenha em ler o acervo disponível, catalogá-lo (o que levou um ano) e dividi-lo em três arquivos. O primeiro consiste em fichas técnicas de tudo o que ela recolheu, estabelecendo, por exemplo, temas e datas; o segundo abarca a relação completa dos ex-presidentes e vice-presidentes da SEB; e o terceiro, por fim, representa uma transcrição de vários acontecimentos e fatos curiosos registrados em cartas.
 
Uma delas, escrita pelo parente de um interno do Hospital Espanhol, questiona a liberação do paciente alegando que, depois da alta, ele continuava "freqüentando bares e se alcoolizando diariamente" . Mas há correspondências em tom mais ameno, até elogiosas, e mesmo pitorescas, conforme Paula Salgado acabou descobrindo no decorrer de sua tarefa. A riqueza de detalhes resultante da pesquisa não só a deliciou, como encantou sua colaboradora, a museóloga Elisabete Delamarque.

A princípio, elas esperavam encontrar documentos meramente alusivos à administração da SEB, mas acabaram esbarrando em textos que também falavam dos propósitos da entidade e do orgulho dos espanhóis com relação à sua nacionalidade. "De modo geral, o livro evidencia a força dos imigrantes nos momentos de crise, o espírito de combate diante das adversidades", diz Paula, muito sensibilizada com o trabalho porque descende de espanhóis.

A historiadora ressalta, ainda, que o sentimento de solidariedade permeia a obra. Isso fica evidente sobretudo com a expressão "Dar os meios e cuidar dos seus", que aparece diversas vezes nos papéis reunidos por Paula e Elisabete, demonstrando a missão maior da Sociedade Espanhola de Beneficência. Esse conteúdo e outros poderão, agora, ser conhecidos pelo público e explorados por estudantes e pesquisadores de várias áreas - como saúde e lingüística -, ao longo de 140 páginas recheadas de lembranças e ilustrações.
 
 

voltar ao índice

 

BALANÇO NA GESTÃO MOSTRA QUANTO HOSPITAL EVOLUIU

Com seis anos à frente da Sociedade Espanhola de Beneficência, José Paredes Gerpe tem muitas lições a dar em matéria de administração bem-sucedida. Eleito em 2000 e reconduzido ao cargo por duas vezes consecutivas, o presidente da SEB abriu as portas do Hospital Espanhol para novos investimentos e ações empreendedoras. Resultado: obras de grande porte no Hospital Espanhol, necessárias ao desenvolvimento da instituição; modernização tecnológica; contratação e capacitação de pessoal e, ainda, maior dotação orçamentária.

Espécie de anos dourados, a gestão de Paredes vem significando uma maneira peculiar de encarar os desafios e conquistar a cumplicidade de toda a equipe de trabalho, cada vez mais abnegada e pronta para a luta. Na conversa que se segue, ele fala justamente sobre isso e muito mais. Destaca temas como compromisso, qualidade, parceria e crescimento. Ao mesmo tempo, ainda que informalmente, faz uma prestação de contas sobre suas promessas de campanha, já que está prestes a encerrar o terceiro mandato.
 
· Para começar, conte-nos um pouco de sua relação com a SEB.
· Paredes - Nasci no Hospital Espanhol e quem fez o parto trabalha aqui até hoje, o Dr. Cascardo. Sempre utilizei os serviços do Hospital Espanhol por acreditar na instituição. Por outro lado, no que diz respeito à política, desde cedo acompanhei os caminhos trilhados por meu pai, Manuel Paredes, que foi diretor de patrimônio na década de 80. E eu mesmo, antes de ocupar a presidência, já fiz parte do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal, exerci o cargo de 2°. Secretário e de Vice-Presidente da Diretoria. Toda essa trajetória é curiosa porque, no começo, não sabia que tinha perfil para atuar politicamente, não gostava de falar em público. Enfim, acabei me surpreendendo comigo mesmo.

· O que o senhor considera a gran­de marca da sua gestão nesses seis anos?
· Paredes - Acredito que a principal cara da nossa administração foi a retomada de serviços até então terceirizados. Antigamente, quando o Hospital tinha uma estrutura menor, a terceirização parecia uma boa saída, era algo que não exigia muitos investimentos. Mas, com o crescimento da instituição, a necessidade de autonomia também aumentou. O CTI e o setor de raio-x são algumas das áreas que recuperamos e, posteriormente, ampliamos. Expandimos, também, o número de serviços ofereci­dos, tal como a Emergência, e a quantidade de quartos; e construímos mais lei­tos de CTI - medidas que, conseqüentemente, fizeram o quadro de funcionários quase dobrar. Quando entrei, eram 250 colaboradores; agora, somam 400. E não foi só. Contamos hoje, por exemplo, com o trabalho de uma psicóloga que orienta as equipes a lidarem com os pacientes e sua família, sobretudo em momentos de fragilidade.

· De modo geral, quais foram as maiores empreitadas neste seu último mandato?
· Paredes - Eu diria que as mais visíveis, as que ficam ao alcance dos olhos, foram as reformas de todo o quinto andar, onde se encontram os apartamentos. Trocamos o piso, instalamos camas elétricas, aumentamos as portas dos banheiros... Mas vale lembrar que também pintamos a fachada do Hospital e ainda compramos um novo prédio, bem ao lado do nosso. Como fizemos este negócio há pouco tempo, ainda não deu para formalizar qualquer mudança até agora, mas pretendemos transferir para lá o salão nobre, já que ele fica imprensado entre dois CTIs. Assim, até vai dar para aumentar o espaço da terapia intensiva. Por fim, mais recentemente, fizemos um investimento muito vultoso em equipamentos médicos e em softwares dinamizando a administração e o funcionamento do hospital.

· E o que resultou de mais significativo a partir dessas iniciativas?
· Paredes - Isso tudo culminou, em síntese, na quase duplicação do faturamento do Hospital Espanhol. A demanda por serviços deu um pulo considerável nos últimos anos, ainda que nossa principal forma de divulgação continue sendo a propaganda boca a boca. Com certeza, devemos estar fazendo um bom trabalho, mostrando qualidade, já que temos tanta credibilidade e hoje nos colocamos como referência no campo dá saúde. Não é à toa que o Hospital Espanhol conquistou um prêmio da Unidas (gestora de planos de saúde), ao lado de outra instituição de renome como a Casa São José. O que se pode constatar é que, entre fins da década de 80 e início dos anos 90, o Hospital passou a viver uma fase diferente, voltada para reformular sua realidade e a conduta de seus admi­nistradores, provocando mudanças que fizeram toda a diferença.

· O senhor mencionou a duplicação do faturamento. Como a instituição encara essa questão, já que o Hospital Espanhol não visa lucro?
· Paredes ­- De fato, nosso hospital é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos. Toda rentabilidade é investida no próprio negócio, para aumentar a qualidade e a eficiência dos serviços prestados. Entendemos que somos uma entidade de utilidade pública e que o tema da saúde deve ser encarado com o máximo sentido de responsabilidade.
 
 

· Falando agora sobre outro tipo de iniciativa, o que o senhor sente ao ver concluído o livro de memórias dos 146 anos da SEB?
· Paredes - Fico muito feliz e gratificado porque sempre considerei importante valorizar a parte cultural da nossa gestão. Acho fundamental existir um produto que reforce os valores da comunidade espanhola no Brasil e mantenha viva a memória dos primeiros imigrantes espanhóis que chegaram ao Rio de Janeiro. Afinal, essas são as nossas raízes. Eu e minha equipe decidimos partir para o projeto do livro, contratando uma historiadora para tocar o trabalho, quando nos demos conta do extenso material informativo que existia na SEB, em razoáveis condições de preservação, embora completamente disperso.

 
 
· Ao olhar para o futuro do Hospital Espanhol, o que lhe parece ideal? Acabar, por exemplo, com todos os serviços terceirizados?

· Paredes - Você tem que criar uma estrutura administrável na prática, não um monstro. Então, temos de distinguir os setores que não apresentam qualquer vantagem em passarem para o nosso controle, seja por sua complexidade, alto custo ou qualquer outro fator considerável. Mas hoje, em todos os campos de atuação, a terceirização virou uma realidade. Aqui no Hospital Espanhol, ela existe até mesmo na relação com os médicos, pois temos profissionais que não pertencem ao nosso quadro de funcionários. Enfim, é preciso analisar cada situação e esperar o tempo certo de reverter alguns fatos. Considero que seis anos - o tempo total dos meus mandatos - sejam insuficientes para avançar em todas as direções, mas não tenho dúvidas de que muito já foi realizado.

· Apesar de o Estatuto da SEB permitir sua reeleição, por que o senhor não pensa em se candidatar de novo?
· Paredes - Gostaria de esclarecer uma situação. O antigo Estatuto não limitava o número de reeleições, mas foi reformado por uma comissão durante uma das minhas gestões. Com a mudança, fixou-se que só seriam permitidas duas reeleições. Então, como eu já estava no segundo mandato quando vieram as novas  regras, teoricamente teria direito a mais dois. Acontece, porém, que não desejo me recandidatar. Acho que já dei alguma contribuição, a melhor que pude dar, e saio com a sensação do dever cumprido. Vou me dedicar a outras coisas, sem deixar de apoiar o Hospital Espanhol no que for preciso. Além disso, eu mesmo endossei a idéia de se reciclar periodicamente a administração da SEB, renovando o fôlego de seus integrantes. A renovação minimiza os riscos de se ter uma gestão mecanizada, sem arrojo e criatividade.

· Independentemente dos próximos gestores, quais são suas expectativas?
· Paredes - Em primeiro lugar, espero que façam uma ocupação racional do prédio novo. Também acho interessante reunir todos os CTIs no sexto andar e transferir a Esterilização (que fica no centro Cirúrgico) para um outro local. O que mais quero, porém, é que venham para a administração pessoas de braço forte, bem-intencionadas, que assumam os desafios e administrem com competência o crescimento do Hospital Espanhol. Hoje, a instituição tem um tal porte que o paciente resolve tudo aqui, não precisa ser transferido. Essa conquista, então, deve ser preservada.

· Alguma palavra final para os seus colaboradores?
· Paredes - Sem dúvida! Quero aproveitar a oportunidade para agradecer o apoio que me foi prestado pela diretoria, funcionários, sócios, clientes em geral, fornecedoras e membros de outras entidades da comunidade espanhola. Todos esses se uniram numa luta comum e confiaram num projeto de expansão que deu certo. Desejo, portanto, que o Hospital Espanhol continue prosperando, não só por se tratar de uma herança secular, como pelo benefício que presta aos espanhóis radicados no Brasil e à própria sociedade local. No que couber a mim, pretendo sempre acompanhar e ajudar a viabilizar a caminhada da instituição.
 
 

voltar ao índice

 

ORTOPEDIA VIVE SUA MELHOR FASE

Paredes brancas, cortinas claras, cafezinho na bancada e música ambiente, entre outras novidades. Quem já teve a oportunidade de conhecer as atuais instalações da Ortopedia do Hospital Espanhol, percebe claramente o resultado das mudanças. Desde que assumiu a coordenação da área, há três anos, o Dr. Sebastião Herculano de Mattos Neto colocou a "mão na massa" para aprimorar a qualidade do atendimento e dos serviços.

A expansão e o aperfeiçoamento da Ortopedia estão ligados ao aumento da demanda do Hospital Espanhol nos últimos tempos. Antes, diversas especialidades médicas conviviam num mesmo local do prédio Rio Madri, mas foi preciso separá-las. A Ortopedia ganhou, então, um espaço próprio para seus consultórios, a sala 202, dotada de recepção e banheiro.
 
A transformação no setor atingiu até o ambulatório. Agora, ele funciona das 8 às 18 horas, de segunda a sexta. Segundo o Dr. Sebastião Herculano, a Ortopedia hoje atende a praticamente todos os casos e realiza cirurgias das ais simples às mais complexas - como a de correção de fraturas (as mais comuns) e a de colocação e substituição de próteses. Em função da credibilidade da área, o agendamento de consultas não pára; às vezes, fica difícil obter um horário durante 15 dias consecutivos.

'"O desempenho vem se aprimorando e ganhando reconhecimento", observa o médico ortopedista responsável, lembrando que, durante uma certa época, o atendimento no período da noite praticamente inexistia. Em parte, ele atribui esse sucesso à propaganda boca a boca dos pacientes, embora ache que o Hospital Espanhol deveria divulgar amplamente todas as suas qualificações. "Afinal, temos tantas coisas boas: os dois CTIs, a unidade semi-intensiva, os pro­fissionais...", completa o Dr. Sebastião Herculano.

De fato, a instituição evoluiu muito nos mais variados campos, sobretudo no tecnológico, possuindo equipamentos modernos e de primeira linha. Na Ortopedia, por exemplo, os aparelhos cirúrgicos são importados e monitorados por imagem, o que resulta em menor agressão nas operações e numa recuperação mais rápida do paciente. Existem microcâmeras utilizadas nas incisões para que o cirurgião possa acompanhar o que ocorre no interior do corpo enquanto realiza a operação.

Mas nem só da aparelhagem de ponta vive a nova Ortopedia do Hospital Espanhol. A equipe também conta com diferenciais, como a existência de um segundo coordenador, o Dr. Jorge Veríssimo, a disponibilidade de um médico ortomolecular e o trabalho de múltiplos especialistas (para cuidar, especificamente, de cada parte atingida, seja quadril, ombro, joelho etc.). E grande, ainda, a preocupação com as condições gerais do paciente, em particular no pós-operatório. Daí, a busca de uma perfeita integração entre a Ortopedia e o setor de Fisioterapia, cujos efeitos práticos já podem ser sentidos e mensurados.
 

voltar ao índice

 

 

CONTA GOTAS

Lembrança Viva
Uma sala do Hospital Espanhol, que serve a reuniões de diretoria, acaba de ganhar o mais especial dos adornos: um quadro, em forma de memorial, com os no­mes e, a partir de 1970, também as imagens de todos os presidentes da SEB. Trata-se de mais um resultado do trabalho de pesquisa feito pela historiadora Paula Salgado, responsável pelo levantamento dos dados, informações e ilustrações que aparecem no recém-concluído livro sobre a história dos 146 anos da Sociedade Espanhola de Beneficência.

Tempos modernos
Seguindo a tendência "clean", que recomenda ambientes claros, arejados e de corados com poucos objetos, o Hospital Espanhol acaba de realizar uma boa reforma em sua recepção. Os tons escuros deram lugar a cores claras; as instalações ganharam mais funcionalidade; o visual tornou-se discreto e acolhedor. Agora, os visitantes encontram um local tão confortável quanto ameno, suave para os olhos, que passa tranqüilidade.

Enfim as placas
Apesar do considerável atraso, já foram instaladas placas contendo os dados da inauguração do Centro Administrativo e da Emergência. Um outro setor, o CTI, também já ganhou a sua placa e nem precisou esperar tanto.

Eleição à vista
No próximo dia 8 de abril, das 10 às 21 horas, haverá eleição nas dependências da SEB (Hospital Espanhol) do novo Conselho Deliberativo da entidade para o biênio 2006-2008. Convém lembrar que, para exercer o seu voto, o associado precisa estar em dia com a mensalidade, ser maior de 18 anos e ter pelo menos um ano no quadro social.
Não deixe de comparecer e votar, legitimando um dos mais importantes direitos de cidadania.
 
 

voltar ao índice

 
UM PORTA VOZ DA ESPANHA COM ALMA BRASILEIRA

Ele tem um ar de Salvador Dalí, é espanhol como o grande mestre da pintura, mas sua paixão não são as telas. 0 Cônsul Geral da Espanha, Rafael Fernández-Pita, prefere conviver com a natureza viva, as pessoas, os problemas, os desafios. Por isso, desde jovem, optou pela vida diplomática, transformando-se num cidadão do mundo. Morou em diferentes lugares, apreciou as mais variadas culturas, e hoje está a serviço no Brasil. Mora no Rio de Janeiro, uma de suas cidades preferidas, e a considera literalmente "maravilhosa" .

Tido como um homem amável e receptivo, o cônsul concedeu uma entrevista à Revista da SEB em seu apartamento, em Ipanema, confirmando o que se diz a seu respeito. Traz uma enorme bagagem pessoal e profissional, mas não abre mão dos gestos despojados e do contato com as coisas simples da vida. Gosta de caminhar, olhar a paisagem, escutar e fazer amigos, e ainda de ambientes alegres e de festas. Eis por que, entre os brasileiros, ele se sente em casa.
 
· Fale-nos um pouco de sua trajetória profissional antes de se fixar no Brasil.
· Cônsul -  Sou natural de Madri, cursei Direito na Universidade de Navarra e depois prestei concurso para a carreira diplomática. Meu primeiro trabalho foi em 1977, na Arábia Saudita, e em seguida na Alemanha, lugar em que nasceu um dos meus dois fi­Ihos. Quando retornei para a Espanha, passei a integrar a equipe que negociava a entrada do País para a União Européia. A partir daí, viajei bastante: estive nos Estados Unidos, onde atuei nas Nações Unidas, voltei à Espanha e então segui para Angola - que enfrentava uma guerra - na condição de embaixador. Na volta a Madri, fiquei sete anos trabalhando em Assuntos de Justiça e Interior da União Européia como representante da Espanha e, logo após, nomearam-me para o cargo de diretor geral de assuntos consulares. Em 2004, com a troca de governo, houve mudanças e vim ocupar o Consulado Geral da Espanha no Rio, Minas e Espírito Santo. Nesses três estados, existe um grande nú­mero de espanhóis: 15 mil, 2.700 e 235, respectivamente. O maior contingente no Brasil se encontra em São Paulo: 50 mil.

· O senhor já conhecia a cidade do Rio de Janeiro?
· Cônsul -  Sim. Estive aqui em 1992, na Conferência da ONU para o Meio Ambiente, mas não tive tempo para visitar quase nada. Nem o Corcovado! Só que gostei tanto da paisagem e do jeito carioca que, assim que pude, quis voltar. O carioca é muito parecido com o espanhol; gosta de dançar, de ouvir música, de viver a noite e de se relacionar com todos. E o mesmo espírito que cultivamos na Espanha: o de colocar uma cadeira na calçada para apreciar a vista e o movimento.

· Entre os seus antigos trabalhos e v atual, existe alguma atividade preferida?
· Cônsul -  Atuar na União Européia, por exemplo, era minha especialidade e me dava um grande prazer, mas ser cônsul é di­ferente. Quando você faz um relatório, participa de uma reunião ou elabora algum projeto, não sabe que efeitos imediatos isso terá na vida de um país ou de um grupo social. E já como cônsul, minha relação com as pessoas parece mais estreita e o acompanhamento de cada caso fica mais simples. Em suma: estar no Brasil, fazendo o que faço, me deixa muito feliz. Tenho a sensação de poder ajudar a quem me pro­cura, ainda que deseje ampliar minha equipe de trabalho para atender mais e melhor.

· O senhor guarda lembrança de alguma realização profissional em particular?
· Cônsul -  Sim. Houve uma época em que os terroristas espanhóis estavam todos na França e então, através da nossa atuação na União Européia, criou-se a "Ordem Européia de Detenção e Entrega", que acabou virando lei nos 25 países-membros da organização. Esse instrumento legal obrigava os países europeus a deportarem imediatamente os terroristas capturados para sua terra de origem. Antes, eles aguardavam julgamento em território estrangeiro e só depois eram deportados. E ainda havia um agravante: certos povos, como os nórdicos, sequer previam em seu código penal o crime de terrorismo, o que abrandava a condenação dada aos criminosos em determinados pontos da Europa.

· Vamos abordar um pouco a questão da imigração espanhola. Como está isso hoje?
· Cônsul - Tradicionalmente, tínhamos aquelas pessoas que iam para países da América Latina, quase sempre para tentar uma nova vida e ficar, e os que se dirigiam à Europa no intuito de fazer dinheiro e voltar. Hoje, porém, em se tratando de Brasil, há dois tipos muito distintos de imigrantes: os que permanecem aqui por terem constituído família e se integrado à sociedade local, mesmo tendo condições de retornar à Espanha, e dirigentes de empresas espanholas que passam um tempo determinado no País e depois regressam. Esse segundo grupo é bem menor e às vezes mora fora da terra natal durante um bom tempo, viajando por diversos paises. O fato é que a Espanha, agora, já não dá motivos para que seus cidadãos precisem emigrar em busca de trabalho, ainda que seja fácil um espanhol se adaptar na América Latina em razão do clima, da língua e dos costumes. A Argentina, por exemplo, reúne o maior contingente de imigrantes espanhóis, seguida de Venezuela e México. O Brasil vem bem depois nas estatísticas, porém fica entre os dez primeiros lugares. No Consulado, temos feito uma atualização dos dados dos imigrantes para saber quem realmente continua por aqui.

· O governo espanhol mantém um elo permanente com os imigrantes. Existe a intenção de protegê-los?
· Cônsul - A Espanha é o país do mundo que mais presta atenção aos seus imigran­tes. Só em 2005, gastamos sete milhões de euros no Brasil destinados a imigrantes espanhóis pobres. Acho que o sentido dessa ajuda é o da responsabilidade social, pois o Estado espanhol sabe que aqueles que partiram não encontraram oportunidades dentro de sua própria terra. Por isso, hoje, estando numa condição financeira melhor e mais estável, a Espanha procura apoiar todas as entidades espanholas beneficentes espalhadas pelo mundo. Também ajuda as pessoas que têm vontade de retornar à Espanha, mas não têm recursos para isso, e os maiores de 60 que querem viajar a passeio. Na verdade, o custo dessas viagens acaba reduzido ao mínimo e cada um vai pagando segundo suas possibilidades. Além disso, ainda cuidamos dos presos de origem espanhola e oferecemos bolsas de estudo para os descendentes de imi­grantes que querem estudar na Espanha. Até brasileiros podem se candidatar a essa bolsa.

· Como o governo da Espanha controla a doação de recursos e de outros benefícios encaminhados às instituições?
· Cônsul -  Exigimos um relatório minucioso do que foi gasto e do que ainda será aplicado, pois temos a consciência de que as doações saem do bolso do povo espanhol, ou seja, têm de ser respeitadas e valorizadas. Duas a três vezes por ano, eu também visito as entidades beneficiadas para ver de perto como estão funcionando. No caso do Hospital Espanhol, por exemplo, eu já sei como a instituição é administrada, tanto que tenho um bom plano de saúde, mas me consulto lá. A SEB começou com a doação de espanhóis muito ricos e foi crescendo às custas de sacrifícios. Hoje, o Hospital Espanhol faz parte da história do Rio; tudo que ganha, é reinvestido na melhoria dos serviços, pois não há intenção de lucro. A diretoria trabalha sem receber nada em troca, por puro altruísmo.

· Atualmente, há muitos brasileiros que vivem e trabalham na Espanha, e que mandam dinheiro para o Brasil. A ordem das coisas, então, se inverteu um pouco. Como o governo espanhol encara essa nova situação?
· Cônsul - De fato, em 2005, os brasileiros radicados na Espanha enviaram muito dinheiro para o Brasil, cerca de um bilhão de reais. Mas não podemos esquecer que, entre eles, havia muitos Ronaldos, Ronaldinhos, Luxemburgo e outros igualmente famosos e bem pagos. Por outro lado, o brasileiro será sempre bem-vindo na Espanha por sua hospitalidade, pela maneira como recebeu os primeiros imigrantes espanhóis e continua recebendo quem quer que seja. Mas, em relação ao imigrante de um modo geral, a Espanha tem hoje o cuidado de só fornecer visto de permanência àqueles indivíduos que já vêm com emprego acertado. Tivemos uma experiência ruim há algum tempo, com os equatorianos. Eles eram 10 mil na Espanha, mas logo passaram a uma população de 600 mil. Entravam como turista, arranjavam um trabalho temporário qualquer e acabavam ficando. Então, aprendemos uma dura lição. E a cada vez que nos defrontamos com uma pessoa em situação ilegal, ela é deportada. Fazemos assim para proteger não apenas os espanhóis e a economia, mas os que residem no País em conformidade com a lei. Fora isto, a Espanha tem um grande prezar em recepcionar visitantes do mundo todo e do Brasil em particular. Ficamos felizes também quando um descendente de espanhol que mora fora vem conhecer de perto a sociedade espanhola, pois assim mantém a nossa cultura acesa em seu coração, como uma chama.
 

voltar ao índice

Ações do documento
SEB minilogo
Para ler um PDF

As revistas também estão disponíveis em formato ".pdf".

Para ler os arquivos neste formato é necessário o Software "Acrobat Reader", que pode ser obtido gratuitamente em www.adobe.com.br