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Revista n°. 7

REVISTA DO HOSPITAL ESPANHOL N° 7

Índice

 

EDITORIAL

Hospital da coletividade

 

Em todos os tempos, saúde sempre representou o bem maior do homem, de valor inestimável. Até hoje é assim, mas a diferença é que vivemos atualmente um grande paradoxo, típico da modernidade: de um lado, o imenso arsenal contra doenças e o envelhecimento precoce; de outro, uma série de agravantes ameaçando nosso bem-estar. Entre eles, a extrema violência social, o stress, o desemprego, os excessos de toda ordem, os hábitos nocivos e a acelerada degradação do meio ambiente.

Por tudo isso, nunca foi tão importante pensar e valorizar a saúde física e mental dos indivíduos, zelando por sua integridade, já que este caminho se revela o único capaz de imunizar as relações na família e no trabalho e preservar a fraternidade e a cordialidade na convivência.

Mas conservar a paz (a despeito das guerras), manter a harmonia, cabe tão-somente a nós, a cada pessoa, cada empresa, cada instituição, órgãos públicos e governos. Mesmo antes das condições de vida da população ficarem críticas, a Sociedade Espanhola de Beneficência já assumia sua responsabilidade e cumpria a sua parte. Recentemente, investiu firme no Hospital Espanhol. Modernizou as dependências, adquiriu equipamentos de última geração, ampliou o corpo clínico e técnico, reformulou o centro cirúrgico, promoveu encontros para capacitação profissional e iímprimiu um ritmo mais ágil e eficiente à administração.

Na verdade, a SEB realizou muito além de melhorias. Ao adaptar o estatuto da Sociedade às novas realidades e exigências, permite, agora, que inúmeras pessoas acessem os serviços do Hospital Espanhol mesmo sem serem sócias. Isso ocorre por intermédio dos recentes convênios com empresas, cujos funcionários passam a usufruir da qualidade e dos benefícios do Hospital Espanhol em tratamentos de saúde (com ênfase na prevenção), bem como de seu atendimento diferenciado, cuidadoso e, sobretudo, humanizado.

Nada mais justo. Apesar de manter profundos vínculos com a colônia espanhola, uma vez que se originou dos esforços de imigrantes, o Hospital Espanhol cresceu com o apoio da comunidade. E tanto na cidade quanto no país onde se insere, ele é uma referência em bons serviços, um patrimônio coletivo, uma conquista de gerações.

Como integrante da diretoria da SEB, sinto orgulho do resultado do nosso trabalho e do que ainda estamos construindo.

 

 

José Sanmartin Anido (Vice-presidente da SEB)

 

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REMÉDIOS: MENOS CUSTO E MAIS QUALIDADE

Uma nova forma de adquirir medicamentos vem reduzindo os custos do Hospital Espanhol com remédios. A Instituição firmou convênio com a Bionexo, empresa que disponibiliza meios, na Internet, para que os hospitais e os fornecedores cadastrados transacionem suas compras e vendas de modo ágil, seguro e eficaz. Até o momento, uma comunidade de 40 hospitais e 40 fornecedores está utilizando essa ferramenta de comércio eletrônico em cotações, propostas e troca de dados entre os integrantes do sistema.

Para o Hospital Espanhol, a mudança já representa uma economia de quase 20% e boas perspectivas, uma vez que o modelo implantado pela Bionexo permite o contato simultâneo da entidade com fabricantes e fornecedores de remédios, proporcionando um grande leque de opções e forçando a redução do preço dos produtos. Também a parte oposta se beneficia, pois passa a ter acesso imediato ao usuário e a conhecer meIhor suas necessidades.

Segundo o diretor comercial da Bionexo, Marcelo Salinas, o procedimento é vantajoso sob qualquer ótica, tanto que conquistou clientes em vários estados brasileiros. Poupa tempo e gastos com fax, telefone e e-mails; uniformiza e dinamiza o fluxo das informações; registra as comunicações; tontrola a atividade de compra ou venda das mercadorias e dá margem a que todos invistam prioritariamente na negociação, barganhando condições comerciais favoráveis. Por outro lado, apresenta um valor estratégico para as organizações da área de saúde - especialmente aquelas de cunho filantrópico, como o Hospital Espanhol - uma vez que garante a transparência do processo de aquisição de medicamentos e cobra a eficiência dos resultados.

O ensino a distância em saúde, via Internet, é outro serviço especializado que a Bionexo oferece. A empresa integra o projeto GESTHOS (Gestão Hospitalar), idealizado pelo Ministério da Saúde e financiado pelo Banco Mundial e Unesco. Enquanto a UERJ, o IBAM e o IBQN fornecem o conteúdo das aulas e promovem consultorias, a Bionexo responde pelo desenvolvimento e pela operacionalidade dessa modalidade de educação.

Junto com o Hospital Espanhol, participam hoje do projeto mil instituições de saúde, sem qualquer ônus para elas. O GESTHOS envolve um universo de quatro mil alunos, 25 tutores e intenso relacionamento de universidades com hospitais e fundações. Quem ganha é a população, encontrando médicos, enfermeiras e auxiliares mais capacitados. 

 

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TRADIÇÃO NA MODERNIDADE

Clique www.sebhe.com.br para descobrir toda a infraestrutura criada pela Sociedade Espanhola de Beneficência visando proporcionar à comunidade, através do Hospital Espanhol os melhores serviços em saúde.

Já na entrada do site, junto com o brasão que simboliza a SEB, aparece o slogan da

Sociedade - "Do Império à República" -, que traduz com muita propriedade o espírito de luta da Instituição, há quase 150 anos, para se manter viva e atuante. 

E atinge essa meta, graças à garra de seus dirigentes, à dedicação de seu quadro clínico e administrativo e à justa combinação entre qualidade e custo.O site da SEB foi criado tanto para tornar público suas ações, como facilitar o acesso do usuário aos serviços do Hospital Espanhol.

 

Nele há um pouco de tudo: índice das especialidades médicas, descrição das instalações, ramais telefônicos, reprodução dos artigos da revista da entidade (com periodicidade trimestral) e pequenas notícias de interesse geral. Há, também, informações, detalhadas sobre o SEB SAÚDE , especificando as modalidades, condições e cobertura do convênio, o corpo médico contratado e outros dados. E a fim de facilitar e agilizar o processo para os que desejam vincular-se, mas não têm tempo, o site ainda veicula o termo de adesão, que pode ser preenchido e enviado pela Internet.

A seção "Fale com a gente" é especialmente destinada a tirar dúvidas sobre o convênio e o funcionamento do Hospital, respondendo de forma ágil, pois a prioridade da SEB é sempre o atendimento preferencial ao público. Mas entre tantos interlocutores que estão nos solicitando, sentimos uma ausência importante. Falta você. Entre no site e venha nos dar a honra de sua visita.

 

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A MAIS NOVA ADVERSÁRIA ENTRA EM CAMPO

Que preço o homem vem pagando pelo avanço da ciência? Quais as faces sombrias das pesquisas em laboratório? Uma delas pode ser a pneumonia asiática, que em apenas três meses acometeu milhares de pessoas, em trinta países, e já deixou um rastro de quase mil mortes.

Na entrevista a seguir, o chefe do serviço de emergência do Hospital Espanhol, Dr. Júlio César Teixeira Ramos, esclarece as principais dúvidas da populaçâo sobre a doença e sinaliza para o perigo das manipulaçôes genéticas. Em vez de representarem conquistas, elas podem significar danos irreparáveis à saúde.

 

O que é exatamente a pneumonia asiática?

 

 

Júlio César - É uma síndrome respiratória aguda grave, uma infecção que acomete o pulmão. Em países como Portugal e Espanha, é chamada de gripe asiática, pois para eles a palavra gripe tem um significado muito forte, remetendo à lembrança da gripe espanhola.

 

Existe uma causa específica para a doença?

 

 

Julio César - A principal não é ainda conhecida, mas já foram isoladas duas famílias de vírus, responsáveis pelos resfriados comuns. Descobriu-se uma coisa muita importante: a proteína que bloqueia a multiplicação do vírus, permitindo que a doença seja controlada. Quem realizou esse avanço foi o setor de microbiologia da Universidade de Hong Kong.

 

Que tipo de pessoa é mais suscetível à pneumonia asiática?

 

Júlio César - Ela costuma atingir mais a faixa etária dos 25 aos 70, independentemente de sexo e raça. Os mais vulneráveis são os indivíduos acima dos 60 anos.

 

Quais são os sintomas mais freqüentes e como se proçessa a evolução da doença?

 

Júlio César - Tosse seca, febre, dores musculares e, por fim, comprometimento pulmonar, confirmado através de radiografia. O período de incubação vai de dois a dez dias, rnas normalmente os sintomas surgem em 48 horas. Do sexto dia em diante, esses sintomas tendem a desaparecer. A estatística aponta que 80% dos casos evoluem bem e 20% apresentam estado grave, indicando internação no CTI. A faixa de óbitos entre esses 20% fica em 4,9% .

 

 

Fale sobre as formas de contágio da pneumonia asiática.

 

Júlio César - A doença pode ser contraída através da saliva, o que significa perigo até mesmo em uma simples conversa com o doente. Não é à toa que toda a população chinesa está usando uma máscara de proteção contra o contágio por meio de micropartículas.China, Canadá e Estados Unidos foram muito afetados pela doença, tanto humana quanto economicamente.

 

E o Brasil?

 

Júlio César - Aqui não houve casos confirmados, só suspeitos, inclusive envolvendo uma criança. De todo modo, os médicos já foram bastante alertados pelas secretarias de saúde e ficamos sempre atentos a qualquer sintoma por parte de pessoas que estiveram próximas a um doente ou vieram de um país onde o c.vntágio está muito acelerado.

 


No Brasil, quem cuida dos casos suspeitos de pneumonia asiática?

 

Júlio César - O Hospital do Fundáo (universitário) e a Fiocruz são os dois centros de referência nessa área, fazendo a entrada do paciente e a bateria de testes.

 

 

Existe uma explicação para o fato de a pneumonia asiática se manifestar com tanta intensidade na China?

 

Júlio César - Assim como a AIDS se prolifera mais na África, a maior carga viral da pneumonia asiática está na Ásia em geral. Acredita-se que a origem tenha sido em aves, passando depois para a fase de contágio nos seres humanos. Contudo, nas aves a doença era inócua; já no homem, leva à morte. Tudo isso nos faz crer que a manipulação de animais em laboratório pode ocasionar a mutação de vírus e elevar seu grau de agressividade. Na Bélgica, inclusive, começa a aparecer a chamada "pneumonia das aves", sem qualquer sintoma, simultaneamente a manifestações de pneurnoriia em alguns cidadãos, com hemorragia. A Alemanha, que é vizinha, está bastante preocupada.

 

 

Podemos afirmar que a pneumonia asiática fará mais vítimas que a gripe espanhola?

 

Júlío César - Alguns especialistas tentam compará-las, mas a Organização Mundial de Saúde considera a pneumonia asiática sob controle. No entanto, essa discussão servirá de alerta para os que mexem com pesquisas genéticas. O próprio homem constrói problemas para si mesmo e não sabe como os resolverá. A ganância de estar sempre na frente, até mesmo no camNo da ciência, faz os países investirem milhões em experiências de laboratório, sem os cuidados devidos. Deveriam ter mais responsabilidade.

 

 

A vacina contra a gripe pode evitar alguns dos efeitos maléficos da pneumonia asiática?

 

Júlio César - Não, porque estamos falando de vírus diferentes. Uma vez contraída a doença, o paciente apresentará sintomas e receberá um tratamento de suporte. Vamos levantar sua pressão, às vezes recorrer à transfusão de sangue, para que o organismo não responda tão fortemente à doença. Em último caso, os que vão para o CTI recebem oxigênio hospitalar, 100% puro, e têm suas condições de saúde mónitoradas.

 

Pelo quadro atual, o senhor acha pue o Brasil está livre da pneumonia asiática?

 

Júlio César - Teoricamente, o Brasil fica longe da Ásia, mas com o avião e suas conexões o mundo ficou pequeno, todos estão vulneráveis... A única vantagem é que a populaçáo brasileira tem interesse em conhecer os problemas e saber como controlá-los. Um exemplo disso é a queda no número de atendimentos de casos de dengue aqui no Hospital Espanhol. Até o ano passado, eram 120 por dia; hoje praticamente não há nenhum.

 

 

Dr. Júlio César tem especialização em cirurgia geral e vídeolaparoscopia, com mestrado em transplante de fígado. É membro europeu de cirurgia e emergência.

 

A ETERNA GRIPE

 

A cacla ano surgem dez a quinze novos subtipos de vírus, geralmente muito parecidos entre si. Um único espirro, por exemplo, libera entre cinco e dez milhões de- les, que ficam pairando no ar durante alguns mi- nutos, dentro de gotículas de saliva. O vírus da.gripe retorna , sempre com um novo invo- lucro protetor. Ou seja, seus genes são basicamente os mes- mos, mas a mudança externa faz as células perderem tempo até reconhecê-lo e se armarem para combatê-lo. E de quarenta em quarenta anos, o quadro se complica ainda mais: é como se houvesse um salto e as alterações virais ficam maiores. A última vez que isso ocor- reu foi em 1957, há 46 anos, quando só nos Estadós Unidos morreram mais de 750 mil pessoas em decorrência das complicações de um surto de gripe. O processo é rápido porque, com a maior facilidade, os vírus caem no sangue e liberam uma série de toxinas, responsáveis pela febre. Só deixam de circular nos vasos sangüíneos quando encontram articulações pela frente, porém também ali se reproduzem, o que explica aquela conhecida e incômoda sensação de dor por todo o corpo durante as gripes.

Em caso de ataque súbito, como se trata de adversários de respeito, não há muito 0 que fazer. Basta ingerir líquidos, evitando a desidratação causada pela febre, e repousar. O descanso poupa energia para o sistema imunológico preparar sua defesa e pensar em novas estratégias.

 

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ANTES QUE VENHAM OS SINAIS

A freqüência de casos de câncer de colo retal no Hospital Espanhol despertou a atenção do Dr. Gabriel Treiger, que atua no serviço de clínica médica. O câncer de intestino grosso é o segundo que mais mortes provoca nos Estados Unidos e, uma vez diagnosticado, não há tratamento possível senão por meios cirúrgicos.

Quando este tipo de câncer dá os primeiros sinais, muitas vezes já está tarde demais para recuperar a saúde do paciente ou garantir lhe qualidade de vida. O melhor mesmo, sem sombra de dúvida, é prevenir, conforme adverte o Dr. Gabriel. No próprio Estados Unidos, diante das estatísticas cruéis 135 mil novos casos e 56 mil óbitos em 2001, a Sociedade Americana de Oncologia e o Colégio Americano de Gastroenterologia vem recomendando estratégias de prevenção para homens e mulheres acima dos 50.

Essa estratégica envolve alguns procedimentos mais simples e outros sofisticados, prescritos de acordo com o estado geral de cada indivíduo, suas condições físicas e a avaliação do médico. Se for necessário, o paciente receberá a indicação de submeter-se a todos os procedimentos, que são os seguintes:

· exame anual para verificar a presença de sangue nas fezes, com três amostras consecutivas;

· de cinco em cinco anos, uma retosigmoidoscopia;

 

· realização da pesquisa anual de sangue e também da retosigmoidoscopia;

 

· colonoscopia de dez em dez anos;

· clisper opacografia de cinco em cinco anos (exame radiológico por contraste).

 

 

Sem considerar os custos, os procedimentos mais eficazes de prevenção são o terceiro e o quarto. Mas quando houver histórico de cancer de colo retal na família, explica o Dr. Gabriel, a pessoa deverá ter urn atendimento diferenciado, com cuidados especiais.

Apesar dos índices da doença e até da pressão da opinião pública, o governo americano demorou a recomendar oficialmente a prevenção do câncer de intestino grosso - ao contrário do que ocorreu em relação ao câncer de mama, útero e próstata, por exemplo. Há dez anos boa parte dos ameritanos ndo ima ginava, ainda, como era necessário tomar precauções! A situação só começou a mudar a partir de alguns estudos, revelando o papel da prevenção com vistas à detecção de lesões pré-malignas ou tumores malignos em fases precoces.

O primeiro estudo, em 1992, comprovou que a retr osigmoidoscopia (exame endoscópico que estuda a parte final do intestino grosso) era capaz de diminuir em até 60% a mortalidade de indivíduos que depois tiveram a confirmação da doença. E no ano seguinte, uma nova pesquisa mostrou a importância de incluir, como medida preventiva, o exame anual para detectar sangue nas fezes, pois o método contribuía com 33% na queda do número de mortes de pacientes com câncer.

Assim, diante de fatos científicos de peso, a Força Tarefa dos Serviços Preventivos dos EUA passou a recomendar procedimentos para evitar o câncer de colo retal e, em 2000, designou-se março como o "mês da prevenção". A data foi comemorada com o debate sobre o tema em cinco edições consecutivas do "Today Show ", em que a emissora exibiu um exame de colonoscopia (análise dos segmentos do intestino grosso) feito no apresentador do programa.

Paralelamente aos exames preventivos, uma série de esforços de combate ao câncer de colo retal precisam ser adotados. Eles são de valor inestimável, especialmente para as populações dos países ocidentais industrializados, que fogem ao controle alimentar e mantêm certos hábitos agressivos à saúde.

Estamos falando de evitar carnes vermelhas, gorduras saturadas e açúcar refinado, bem como fugir do fumo, do excesso de álcool e do sedentarismo. Hoje, não é mais possível ignorar que certos gêneros de alimentação e estilos de vida levam à obesidade, ao aumento das taxas (glicose, colesterol...), a vários tipos de câncer e a distúrbios cardiovasculares. Pois, na medida em que envelhecemos, os excessos funcionam como verdadeira bomba-relógio: antes que possamos reagir, o perigo bate à nossa porta. E nos encontra sem munição! Mas náo por falta de aviso.

 

 

Dr. Gabriel Treiger tem especialização em clínica médica e no Hospital Espanhol, também integra a equipe do CTl.

 

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UMA LIÇÃO DE HISTÓRIA

Parece um dagueles épicos recheados de heroísmo e abnegação, porém é bem mais surpreendente. Os personagens são reais, o enredo também.

A saga dos 44 anos da Sociedade Espanhola de Beneficência, agora resgatada por uma historiadora e uma museóloga a pedido da SEB, vai emocionar muita gente. E o projeto é editá-la em breve para o público, gue assim desfrutará do prazer de sua leitura.  

Durante oito meses, a historiadora Paula Salgado Quintans e a museologa Elisabete Delamarque eroperiharam-se ero organizar e catalogar um vasto material com o objetivo de recuperar a memória da Sociedade. E. o esforço não foi em vão, segundo Paula. Ela, que descende de espanhóis, ficou surpresa com a riqueza e o volume das informações coletadas.

"O que diz respeito ao sécul0 18 e à metade do século 20 está quase tudo documentado. E o início é belíssimo, pois não são registros burocráticos. São memórias, esforços, atos de altruísmo, críticas, o embrião mesmo. Tudo o que moldou a identidade da SEB e caracterizou sua luta por um ideal", cometa Paula.

A historiadora e sua colega de trabalho montaram algumas ações, contendo documentação ordem cronológica. Acompanha mento uma ficha catalográfica assunto, a procedência, o idioma e demais dados de identificação. As primeiras páginas apresentam índices gerais para facilitar a localização dos temas.

Uma dessas encadernações destaca apenas as juntas diretivas da Sociedade, enquanto outra - deixando de lado a preocupação com datas - ressalta os documentos mais curiosos e originais. Entre eles, cartas do rei da Espanha, a comunicação da proclamação da República na Espanha, reuniões com importantes autoridades espanholas, festas para arrecadar fundos e a própria inauguração da primeira sede social da SEB, que, de acordo com Paula, aparece descrita nos mínimos detalhes. Qual o saldo final de um trabalho tão fecundo? A quem beneficiará?

A historiadora Paula Quintans aponta, no mínimo, alguns públicos específicos que poderão tirar grande proveito do material, como os pesquisadores (de sociologia, de lingüística, de imigração etc.), os professores e os estudantes. Sem dúvida, eles terão à disposição um levantamento completo e ordenado, de fácil acesso e manuseio. Além disso, a SEB cogita disponibilizar um CD sobre a pesquisa para diversas organizações da comunidade e entidades co-irmãs, como a Casa de Espanha. Mas o grande beneficiado, sob qualquer ponto de vista, será sempre o povo espanhol, especificamente o imigrante. Porque o resgate da memória da SEB valoriza a cultura espanhola e seus homens, e ainda Ihes permite ter mais histórias para contar mundo afora, às vezes bem distante da terra natal.

E são histórias que envolvem não somente êxodos, chegadas e partidas, mas a construção e manutenção de um respeitável patrimônio beneficente (uma das obras pioneiras em saúde no Rio), denominado Hospital Espanhol. "Cheguei a me impressionar, pois o documento encontra-se em ótima estado de conservação e revela bem o ambiente da sede, o luxo dos mármores na decoração, o tom patriótico das antigas comemorações da Sociedade", diz a historiadora.

Com a criação do Hospital Espanhol, a trajetória da SEB entra em novo ciclo. Existem inúmeros registros dessa etapa, através dos quais se percebe claramente o espírito da colônia espanhola no Brasil, as ajudas internas e externas e, sobretudo, o forte elo dos imigrantes com suas raízes hispânicas.

 

Raridades à Vista

Pouca gente sabe que a Sociedade Espanhola de Beneficência possui uma bibiloteca com um acervo vasto e muito rico, constituído de doações, que vale a pena conhecer. Entre as preciosidades literárias, há uma edição original de Don Quixote, bastante antiga mas bem conservada, com dois volumes. Os apreciadores da obra de Cervantes ficarão encantados.

 

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ESTATUTO GARANTE GESTÃO DEMOCRÁTICA

O Estatuto da Sociedade Espanhola de Beneficência já está de cara nova. Em 5 de junho, a Assembléia Geral Extraordinária aprovou a modificação feita em alguns de seus artigos, possibilitando à SEB transformar-se em uma instituição moderna, ágil e dinâmica.

A presidente do Conselho Deliberativo, Regina Jallas Suárez Figueira, informou que as mudanças foram bastante debatidas e que visavam, fundamentalmente, tornar a SEB aberta e democrática, e em sintonia com a realidade econômica e social. Na prática, isso representou, por exemplo, a criação da figura do usuário no Estatuto. Mesmo sem estar vinculado à SEB, este usuário poderá utilizar os mesmos serviços à disposição dos sócios.

 

"Teremos, assim, um volume expressivo de atendimentos, que reverterá para obras e melhorias no Hospital Espanhol, o que influí na qualidade", disse a presidente do ConseIho, enfatizando que no atual Estatuto todos os direitos dos sócios foram preservados.

Além da abertura da SEB a uma clientela maior, outra alteração no Estatuto também contribuirá para a democratização da entidade. Trata-se da composição do Conselho Deliberativo, que ficou diferente e refletirá melhor as tendências políticas existentes na Sociedade. Até então, a chapa vencedora ocupava todo o Conselho; agora, ele será igualmente constituído por chapas minoritárias, obtendo representatividade.

 

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O PREÇO OCULTO DA VIDA

Longevidade e qualidade de vida precisam caminhar de mãos dadas, porque não faz

sentido carregar doença e dor por anos a fio. Mas essa dobradinha tem um preço, que não se , traduz em reais, dólares ou qualquer outra moeda, e sim em esforços conscientes. Constitui, sem dúvida, um grande desafio e requer de nós uma postura sábia diante das tentações do dia-a-dia. Ou seja, envelhecer com qualidade dignidade é uma conquista pessoal, que só depende mesmo da predisposição de cada indivíduo. A ciência já demonstrou, por caminhos diversos, que existe uma combinação perfeita para mantermos a saúde física e mental em alta. Basta aliar a prática moderada de atividades (trabalho, exercícios, caminhadas ao ar livre etc.) a hábitos salutares, que incluem uma alimentação balanceada, repouso, lazer com a família e os amigos, hobbies, atitudes éticas... e tudo o mais que proporcione alegria e harmonia. 

Talvez nem seja preciso lembrar que estão fora dessa lista o apego ao consumo de álcool, o deleite com cigarro e o stress desenfreado, que a cada ano fazem novas vítimas de câncer e doenças cardiovasculares em todo o mundo.

Ao contrário, serão bem-vindas todas as formas de demonstração de afeto; a renovação do amor e das emoções; os momentos de privacidade e sossego; a descoberta de bons livros no armário e bons discos; a convivência com crianças, jovens e animais; os atos de solidariedade em favor de terceiros; qualquer motivo de felicidade; e a tolerância no ambiente familiar, lembrando que ninguém é perfeito!

Afinal, se velho é nada produzir, não sonhar e nem compartilhar, ser idoso é diferente: é saber olhar, ver, ouvir, e acolher tudo e todos com igual serenidade. E ainda, melhor do que ninguém, saber valorizar tanto a bonança quanto as tempestades.

 

Luz no fim do túnel

 

Os cientistas avançaram um pouco mais nas investigações da doençá de Alzheimer. Nos Estados Unidos, onde as pesquisas estão bem à frente de outros países, a Sociedade Americana de Radiologia divulgou um estudo mostrando que o cérebro do portador de Alzheimer apresenta alguns sinais semelhantes ao cérebro imaturo de crianças. Segundo médicos da Universidade de Michigan, a descoberta facilitará o diagnóstico precoce da doença, antes do surgimento dos sintomas, por meio de uma nova técnica de ressonância magnética.

 

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