Revista n°. 8
REVISTA DO HOSPITAL ESPANHOL N° 8
Índice
- EDITORIAL
- LEMBRANÇAS DE UM GUERREIRO
- VIDA LONGA A UMA CENTENÁRIA
- AVANÇOS EM CARDIOLOGIA NA PAUTA DE DEBATES
- ENXAQUECA, AINDA UMA DOR DE CABEÇA PARA A MEDICINA
- ATUAÇÃO DA SEB EM EVIDÊNCIA
- UM COMBATE SEM TRÉGUA
- A COR DO SEU PRATO
EDITORIAL
A saudável união do antigo com o moderno
Algumas instituições são como o vinho: quanto mais o tempo passa,
melhores ficam. A Sociedade Espanhola de Beneficência tem se empenhado
para pertencer a este seleto grupo, adequando suas normas e sua
dinâmica às necessidades da vida moderna e aos padrões de saúde
atualmente exigidos pela sociedade.
É claro que os desafios se agigantam e tornam-se cada vez mais
ameaçadores à estahilidade das instituições, seja qual for o seu
segmento de atuaçáo. Há 144 anos, quando a SEB ensaiava os primeiros
passos, tudo era bem diferente. A entidade contava com o irrestrito
apoio dos imigrantes espanhóis, que enxergavam na SEB a extensão de sua
terra natal e respaldavam suas decisões. Havia, então, paixão e
compromisso. Alguns imigrantes, inclusive, mesmo possuindo bens
materiais e financeiros, preferiam doar parte de seu patrimônio à
Sociedade e viver permanentemente em seu abrigo, que funcionava em uma
parte do atual sexto andar do Hospital. Naqueles dias, estar entre
amigos significava proteção, carinho, segurança. E, sobretudo, em
certos cásos, servia de contraponto à solidão e à ausência dos
familiares. Mas a entidade támbém se presfava a ajudar os espanhóis
economicamente carentes, muitos dos quais se defrontavam com doenças,
angústias e toda sorte de privações no novo país.
2003, porém, já nos traz uma realidade bem diversa. A SEB de hoje
concentra seus esforços no atendimento específico em saúde, abrindo
suas portas à comunidade em geral, bem como aos mais recentes avanços
científicos, tecnológicos e profissionais. Através do Hospital
Espanhol, a entidade oferece uma gama de serviços especializados,
vários deles tidos como referência na área médica. Além disso,
dispónibiliza um plano de saúde próprio, em condições acessíveis aos
usuários, segundo o princípio de que saúde é um bem coletivo, um
direito do cidadão, uma conquista de séculos.
Entretanto, por ter raízes tão fincadas na ancestralidade, a Sociedade
Espanhola de Beneficência não se limita a crescer e conquistar espaço.
Guarda, em cada um de seus gestos e pensamentos, o ideal dos que
ergueram no silêncio essa obra de valor inestimável. Retém, ainda, a
generosidade, a informalidade, o olhar de preocupação com o semelhante.
E é este "clima" que, em pleno século 21 , se faz presente no Hospital
Espanhol, como se um sentimento fraterno vibrasse pelos corredores e em
cada funcionário da tasa.
Manuel Arosa Brella (Diretor do Patrimônio)
LEMBRANÇAS DE UM GUERREIRO
0 lugar já não é o mesmo sem ele, mas, esteja onde estiver (com
certeza, no canto mais doce do céu), Manuel Taboada deve estar
sorrindo. A instituição que ele presidiu até os momentos finais de sua
vida, e que ajudou a construir, continua de pé - bem cuidada,
organizada e, sobretudo, humanizada, tal como a deixou antes de partir,
em junho deste ano, aos 69 anos.
A viúva Maria Enilse de Souza Quintas procura consolar-se da perda
repentina e admite que tem muitas saudades.Não só ela, mas todos que
conheceram Taboada, até as paredes do Recreio dos Anciãos. 0 que fazer
das recordações?
Aos poucos, numa simples conversa, as lembranças ganham vida e o tempo
retrocede. Maria Enilse começa a dividir suas boas lembranças. E sâo
tantas...
"Conheci Taboada quando vim para o Rio morar com uma tia. Ele era dono
de uma firma em Niterói onde fui procurar emprego. Logo começamos a
namorar e, entre um e outro desentendimento, passaram-se seis anos e
veio o casamento. Chegamos, pelo menos, às bodas de prata. E iríamos
além se tudo tivesse caminhado de outra maneira."
"Ele era um homem tão ativo que jamais se permitiria viver numa
situaçâo de dependéncia, Não cogitava interromper suas atividades, seus
contatos. Também nâo gostava de regras, nâo era metódico. Nada de
horários rígidos, nada de comer sem estar com fome. Mas nem por isso
abusava demais. Depois de ficar diabético, nem chope tomava, mesmo com
autorizaçâo do médico, Comia também sem exageros. 0 único problema era
o cigarro, Sua morte, entretanto, nada teve a ver com os pulmões
diretamente."
"Taboada vivia o conflito de não aceitar certas limitações impostas
pela diabetes, que, no seu caso, era de fundo emocional. Na verdade,
não tinha disposição nem tempo de se cuidar, de ir ao médico. Eu ó
obriguei a isso quando ele começou a emagrecer. Sua cabeça só tinha
espaço para o Recreio, para as entidades já adoentado e com dores, ia
duas vezes por semana ao Hospital Espanhol participar da elaboração do
novo estatuto como conselheiro titular."
"Por ler muito, especialmente a respeito de religiões - embora tenha se
criado no catolicismo -, Taboada achava que podia controlar sua vida e
sua saúde. Até que precisou operar para desobstruir o intestino e
descobriram o câncer. Não Ihe contaram, mas com certeza ele sabia da
gravidade de sua situação. Não havia mais o que fazer. Preferi fazer a
vontade dele, que era de ficar no quarto do hospital, e não no CTI. Do
conhecimento sobre a doença até a morte de Taboada foram apenas 40
dias."
"Nos últimos dias, parentes e amigos não cansavam de visitá-lo. Eu não
saía de perto, dia e noite. Enquanto todos fingíamos que estava tudo
bem, certamente ele fazia de conta que acreditava na gente, talvez para
não sofrermos ainda mais. No fundo, preferi que sua partida fosse
breve, que seu sofrimento terminasse logo."
"Até hoje, costumo ouvir o som da chave na fechadura e imagino que ele
entrará em casa. No início, quase me curvei à depressão, mas senti que
era preciso tocar o Recreio, tocar a empresa de seguros, e fui em
frente. Recebi tanto carinho e apoio que nem sei como agradecer a
solidariedade. E não foram só os amigos, mas políticos, pessoas da
Espanha e tantos outras. Afinal, ele era um grande amigo e
colaborador."
"O pessoal do Recreio me estima bastante e isso agora me alimenta de
forma especial. De todo modo, não seria justo, mesmo com o vazio que
ainda sinto, descuidar de uma obra a que Taboada tanto se dedicou. Os
idosos também se ressentem da sua presença, bem como os funcionários,
mas entendemos que tudo precisa caminhar como antes de sua partida.
Excepciónalmente, a atual diretoria decidiu não comemorar a festa
junina este ano, guardando luto, mas o dia da padroeira da entidade,
Nossa Senhora de los Dolores, foi celebrado à velha moda, em 28 de
setembro. Fizemos um convite, inclusive, com fotos de Taboada.
Igualmente não abrimos mão de organizar, no dia 10 de outubro, o II
Seminário En velhecimento com Qualidade de Vida, u m evento muito sério
e informativo. Tenho certeza, aliás, que é isso que ele espera de nós:
que façamos a nossa parte."
VIDA LONGA A UMA CENTENÁRIA
Para a Sociedade Espanhola de Beneficência, o dia 13 de setembro
nunca passa em branco. Exatamente nessa data, há 144 anos, nascia a
instituição mantenedora do Hospital Espanhol, que hoje é sinônimo de
qualidade em serviços de saúde. Este ano, çomo é da tradição, o
aniversário também foi duplamente festejado.
Na véspera, pela manhã e tarde, com a realização do 1 ° ' Congresso de
Cardiologia; no próprio sábado, às 21 horas, com um belo jantar, ambos
na Casa de Espana (Humaitá).O evento noturno ocorreu no restaurante do
clube e reuniu toda a diretoria, além de convidados e representantes da
comunidade espanhola. A novidade, desta vez, ficou por conta da
presença de um Dj e de uma pequena pista de dança, o que contribuiu
para dar um toque especial ao encontro. Com mesa farta, alegriá e boa
música, o cenário já estaria completo..., mas havia um brinde extra, na
forma de prazer para os sentidos: a apresentação de números de dança
espanhola por Mabel Martín, Alberto Turina e Andrea Ortega, bailarinos
/ coreógrafos / professores de uma mesma família (mãe, pai e filha),
que esbanjam garra, talento e criatividade. Sorte do público, pois,
apesar de o aniversário ser do hospital, todo mundo saiu
presenteado!
'Durante o jantár, ainda foram entregues placas de agradecimento aos
médicos Carlos Macaya, do Hospital San Carlos/ Madri, e Marcelo
Sanmartin (fiIho de José Sanmartin Anido, vice-presidente da SEB), do
Hospital Meixoeiro/Vigo, pela participação como palestrantes no
congresso de cardiologia. Eles vieram da Espanha especialmente para
esse fim e dividiram suas experiências com muitos outros
especialistas.
AVANÇOS EM CARDIOLOGIA NA PAUTA DE DEBATES
Como parte das comemorações de seu aniversário de 144 anos, a Sociedade Espanhola de Beneficência realizou o 1 ° Congresso de Cardiologia do Hospital Espanhol, que obteve apoio dos laboratórios O Aleph, Richet e B. Braun. O encontro aconteceu em 12 de setembro, no auditório da Casa de Espana, com a participação de vários especialistas e dois convidados especiais, da Espanha - Drs. Carlos Macaya e Marcelo Sanmartin.
O médico Luíz José Martins Romêo, professor titular de cardiologia da
UFF, teve um papelchave na organização do evento, contribuindo para o
alto nível dos debates.Constituído de conferências e mesa-redonda, o
congresso foi definido pelo diretor médico do Hospital Espanhol, José
Paulo da Silva Jesus, como "uma oportunidade de atualização e
aprimoramento da prática médica com base nas mais recentes evidências
científicas" . Além disso, "contribuiu para uma rica troca de
conhecimentos e experiências entre todos os profissionais", reunidos
das 8 às 12h30min.
Segundo o conferencista Marcelo Sanmartin, um dos convidados especiais,
o evento conseguiu abordar com muita competência as novas técnicas de
intervencionismo coronário, com ênfase na associação de tratamentos
farmacológicos de última geração com modernos procedimentos cirúrgicos.
Ele disse, ainda, que o Brasil dispõe de tecnologia de ponta na área
cardiológica e que o Hospital Espanhol, em particular, mostra-se
empenhado em estar na vanguarda dessa evolução.
"Sem dúvida, o Hospital Espanhol vem potencializando sua atenção para o
setor de cardiologia e atingirá o ponto ideal quando puder
disponibilizar a maior gama de serviços a custo acessível, o que já é
uma realidade na Espanha", observou o especialista.
Para que o público leigo também pudesse usufruir a riqueza do tema,
houve palestras abertas à comunidade na parte da tarde. De maneira
simples e direta, quatro cardiologistas passaram informações muito
relevantes sobre prevenção de doenças cardiovasculares, respondendo
depois a perguntas da platéia. O primeiro deles, Jorge Gomes, chamou de
"assassinos silenciosos" todos aqueles fatores que contribuem para
males do coração, como a obesidade, o estresse, a pressão alta e as
altas taxas de açúcar, triglicerídeos e ácido úrico. Tanto ele como
seus colegas não cansaram de advertir que a idade de risco das doenças
coronarianas começa aos 40, mas, dependendo do caso (uso de pílula
anticoncepcional, fumo, drogas etc.), pode chegar muito antes, até na
faixa dos 20.
A recomendação não foi para o indivíduo privar-se dos prazeres da mesa
e da vida, mas alimentar-se com equilíbrio, praticar exercícios físicos
regulares (nada de atleta de fim de semana) e monitorar suas condições
de saúde periodicamente, ainda que não apresente qualquer distúrbio
aparente. E mais: ter plena consciência de que um desvio aqui e outro
ali podem levar ao entupimento das artérias e conseqüente
comprometimento cardiovascular. Não é à toa que, excetuando-se os
acidentes em geral, a maioria da população adulta no Brasil (como em
outras partes do mundo) morre hoje por problemas dessa natureza.
ENXAQUECA, AINDA UMA DOR DE CABEÇA PARA A MEDICINA
Não é por acaso. Toda vez que uma pessoa encara um problema
daqueles, refere-se a ele como "dor de cabeça" . Chamada
cientificamente de cefaléia, a dor de cabeça tem inúmeras faces,
freqüências e intensidades, que muitas vezes vão dar no mesmo lugar:
incômodos generalizados, e até sofrimento. E a enxaqueca constitui um
dos seus tipos mais severo, capaz de virar vidas pelo avesso. Quem já
viu este filme, sabe muito bem do que estamos falando.
A neurologista Elisabete Pedra, do Hospital Espanhol, parece ter
experiência sob medida para responder a qualquer pergunta sobre o
assunto, e sem rodeios. Além de atender pacientes com enxaquecas
graves, ela desenvolveu o tema em sua tese de mestrado e continua
debruçada nas pesquisas. Afinal, a médica (infelizmente) também faz
parte do imenso contingente de enxaquecosos em todo 0 mundo, sentindo
na própria pele as agruras desse mal. . . .
Revista: A enxaqueca vem desafiando a medicina e fazendo novas vítimas.
O que a ciência conseguiu descobrir de mais importante a respeito dela
nos últimos tempos?
Elisabete: A teoria de mais credibilidade, hoje, diz que o problema
começa no cérebro, a partir de alterações no funcionamento do .
neurônio, célula nervosa. Uma vez alterado, ele liberaria certas
substâncias que, por estíw mulo elétrico, seriam levados ao sangue e,
posteriormente, aos órgãos dó corpo. Isso pode explicar, por exemplo, a
sensação de náusea e outras indisposições que se somam à dor.
Revista: Segundo estatísticas, cerca de 24% da população mundial sofre
de enxaqueca e ela é o segundo tipo mais comum de cefaléia, embora
cause danos superiores à dor de cabeça tensional (a número 1 ). Em
termos de faixas etárias e sexos, que grupos são mais atingidos?
Elisabete: Atualmente, achamo que até bebês podem apresëntar o
problema. Em tese, meninos começariam por volta dos seis anos; meninas,
aos 12. Os estudos indicam, ainda, que a enxaqueca é bem menos comum no
homem, às vezes na proporção de sete casos contra um, mas esse dado
parece questionável. Quem sabe eles figurem menos nas estatísticas por
consultarem menos o médico? Por outro lado, a questão hormonal, a
presença do estrogênio na mulher, pode relacionar-se com a enxaqueca.
Tanto, que, com as primeiras pilulas anticoncepcionais, contendo grande
quantidade de estrogênio, as mulheres queixavam-se muito de um
mal-estar com sintomas semelhantes aos da enxaqueca. Já na menopausa,
ao contrário, quando a produção hormonal decresce, manifestavam alívio
parcial ou quase integral dos sintomas e da freqüência da crise. De
todo modo, o vínculo entre hormônio e enxaqueca precisa de novos
esclarecimentos.
Revista: Os idosos, então, estariam menos sujeitos à enxaqueca? E como
as crises costumam aparecer e progredir?
Elisabete: Sim, pessoas mais velhas, em geral, ficam menos vulneráveis.
Mas, quanto aos enxaquecosos, não existe a menor chance de enquadrá-los
em um único grupo. Alguns deles, por exemplo, recebem sinais da crise,
seja através de auras visuais (alterações vísuais), tonturas,
dormências ou muitos outros desconfortos. Já em certos indivíduos,
esses avisos inexistem. Normalmente depois dos sintomas, a dor se
instala, porém varindo de intensidade e gênero de pessoa Nara pessoa.
Sem contar os que manifestam sintomas, mas sem dor. Tive uma paciente
assim, que ficava transtornada com o excesso de auras visuais. E não
compreendia o que se passava com ela.
Revista: Existe mesmo um componente genético no histórico da
enxaqueca?
Elisabete: Existe um caráter familial, mas, até o momento, só
comprovamos a ligação efetiva de apenas um tipo de enxaqueca à herança
genética, porque foi detectado o cromossoma que traz o problema.
Futuramente, quem sabe, poderemos intervir mais e melhor nos genes,
enconfrar ós responsáveis pelas doenças e acabar tarnbém com a
enxaqueca.
Revista: Como estão as pesquisas sobre a enxaqueca em nível
mundial?
Elisabete: Muitos países desenvolvem pesquisas porque o problema é
realmente sério, atingindo não só o ambiente doméstico, como também o
profissional. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de baixas no
trabalho em função da enxaqueca é muito grande, com reflexos na
economia. Há vários anos o governo americano vem investindo em
pesquisas para reverter este quadro. Um papel fundamental é
desempenhado pela Sociedade Internacional de Cefaléia, cujas pesquisas
e diretrizes orientam profissionais e instituições de saúde no mundo
inteiro.
Revista: Mesmo que a enxaqueca surja dos mais variados fatores, como o
enxaquecoso deve precaver-se?
Elisabete: O disturbio consiste em uma hipersensibilidade do organismo,
acionada a partir de uma ou mais coisas. Pode ser um chocolate ou
muitos chocolates, um pedaço de queijo amarelo, comida gordurosa ou
ácida, excesso de sono ou falta, sol na cabeça, claridade, álcool,
jejum, calor, um certo cheiro, demasiada concentração na leitura etc.
Tudo isso junto ou itens isolados. E, ainda, nada disso. Por incrível
que pareça, temos até a "cefaléia do restaurante chinês", fruto da
incompatibilidade do organismo com certos ingredientes da culinária
chinesa. Diante de tantas possibilidades, a melhor prevenção é estar
atento ao próprio corpo, percebendo em que circunstâncias o processo da
enxaqueca se inicia e como evolui. A medida facilitará a identificação
dos fatores de risco.
Revista: Se ainda não existe cura para a enxaqueca, quais são os
melhores tratamentos?
Elisabete: Temos remédios de última geração para preveni-la e também
para combater as crises em curso. Obviamente como em todias as demais
questões de saúde, prevenir é sempre melhor do que remediar. Mas tenho
de reforçar um ponto muito importante da prevenção. Independentemente
do remédio, o paciente deve marcar bem a evolução do tratamento, de
preferência controlando por meio de um calendário o número de crises,
os sintomas e a constância. Considero indispensável esse controle
comportamental, para que o médico saiba realmente se deve trocar o
medicamento, suspendê-lo, aumentar a dose ou adotar terapias
complementares.
Revista: Situações de estresse são responsáveis por alguma forma de
enxaqueca? E se não der para evitá-las? '
Elisabete: O estresse consegue agravar tudo, inclusive a enxaqueca, mas
não é o causador direto. Compreendo, tambérn, que não se pode evitar
tudo que seja desagradável ou desaconselhável, como ficar sem comer
durante horas por causa de uma reunião na empresa. Mas, com certeza,
existem maneiras de tentar fugir das armadilhas da enxaqueca, se já nos
tornamos capazes de conhecer suas artimanhas. O ideal, em todas
ocasiões, é evitar o pior. Se isto, não for possível, devemos impedir,
pelo menos, que os incômodos da enxaqueca cheguem a patamares
insuportáveis. O controle dos sintomas deve ser buscado desde as
primeiras manifestações.
Revista: De que forma o médico pode ajudar o enxaquecoso a se sentir
mais aliviado, além de prescrever remédios?
Elisabete: Um médico capacitado pode diagnosticar e orientar melhor o
seu cliente, pois há sintomas parecidos em doenças muito diferentes. Só
para dar um exemplo: as auras visuais, freqüentes nas enxaquecas, são
também comuns em idosos. E, por vezes, confundem-se até mesmo com
problema vascular cerebral. Antes que uma pessoa fique apavorada ou,
pelo contrário, se descuide da saúde, o médico entra em cena. Outro
aspecto da conveniência de cuidados profissionais diz respeito a
indivíduos com enxaqueca que sejam portadores de diabetes, doenças
crônicas, hipertensão... Nesses casos, qualquer tratamento tem que ser
cuidadosamente estudado e acompanhado, para não comprometer o quadro
geral do paciente.
Visite o site www.enxaqueca.com.br para informar-se melhor.
ATUAÇÃO DA SEB EM EVIDÊNCIA
Três entidades de cunho assistencial, entre elas a SEB, receberam a
placa e o certificado de honra da Ordem do Mérito Civil outorgada pelo
Rei Juan Carlos I. A solenidade teve lugar no Recreio dos Anciãos -
também agraciado - em 22 de abril último, às 18 horas, seguida de
coquetel.
No ato, a Sociedade Espanhola de Beneficência, mantenedora do Hospital
Espanhol, esteve representada por seu presidente, Jósé Paredes Gerpe.
Ele se mostrou feliz com o reconhecimento aos esforços desenvolvidos em
sua gestâo, bem como os representantes da Sociedade Recreio dos Anciãos
e do CHAS (Comunidade Hispânica de Assistência Social), a terceira
entidade homenageada.
UM COMBATE SEM TRÉGUA
Uma das principais metas da diretoria do Hospital Espanhol vem sendo
cumprida com sucesso: o controle da infecção hospitalar. Os últimos
índices estão bem próximos aos estabelecidos pela Associação Médica
Americana, graças à contratação de uma empresa especializada, a
Infecto.
Segundo Andréa d'Avila Freitas, desta equipe, a cada três meses são
feitos relatórios parciais e, semestralmente, um global. Nessas
avaliações, o parâmetro é a taxa do CTI, setor de maior incidência de
infecções. Para dar uma idéia de como se processa o controle do
problema, ela enumera a seguir algumas iniciativas já em andamento,
destacando, porém, que o trabalho para controlar taxas de infecção
hospitalar, especialmente em determinados tipos de hospital, "é um
esforço diário e contínuo, de formiguinha".
1- Acompanhamento da situação no CTI e na unidade coronariana duas
vezes por semana, com notificação dos casos de infecção e discussão dos
mesmos junto aos colegas que cumprem rotina nesses locais.
Semanalmente, todo o hospital é inspecionado;
2- Checagem dos resultados das culturas realizadas em pacientes, que
dão origem a relatórios semestrais de microbiologia. O objetivo é
detectar os microorganismos mais atuantes e seu perfil de
sensibilidade, o que permite listar os antibióticos mais eficazes para
os pacientes em questão. Como explicou Andréa, a Infecto procura
sugerir e reforçar a adoção de antiobióticos de menor espectro,
entendendo que geram uma resposta eficaz e mais previsível, sem a
contrapartida de criar resistências;
3- Realização de treinamentos periódicos para não só prevenir infecções
hospitalares,como também a transmissão de doenças na circunstância de
uma epidemia;
4- Elaboração de uma planilha, contendo os índices de infecção
toleráveis, para orientar a equipe do hospital;
5- Visitas regulares à lavanderia e cozinha, com a finalidade de
averiguar adequações e inadequações e propor melhorias;
6- Padronização dos antissépticos utilizados em todas as unidades do
hospital;
7- Comunicação da ocorrência de certas doenças, no hospital, à rede
pública de saúde;
8- Orientação de médicos e enfermeiros quando se acidentam no contato
com o paciente (picada de agulha, ferimentos etc.).
A Infecto utiliza o modelo americano de controle da infecção
hospitalar, cuja proposta é manter os índices em níveis razoáveis e
identificar os focos de seu agravamento. Conforme Andréa assinalou,
esse combate é bastante amplo e exige iniciativas tanto da parte das
instituições de saúde, como das autoridades e órgãos competentes. A
Vigilância Sanitária, por exemplo, vinculada ao Ministério da Saúde,
hoje se preocupa muito com a questão e desenvolve o programa Sinais.
Ele representa, de acordo com Andréa, um passo bastante importante,
pois capacita pessoal no controle da infecção hospitalar e cria manuais
para nortear a criação de comissões desse gênero nos hospitais
públicos.
Andréa é infectologista, com 15 anos de experiência na área. Tem
mestrado em medicina tropical e leciona na UERJ e na Universidade Gama
filho.
A COR DO SEU PRATO
Que verduras, legumes e frutas fazem bém à saúde, todo mundo já
sabe. O que pouco se falou até agora é que as substâncias químicas
responsáveis por seu colorido, conhecidas como fotoquímicos, também
fornecem nutrientes que ajudam o organismo a se proteger de
doenças.
Alguns livros abordam esse aspecto, entre eles "As 7 cores da
saúde",
lançado no Brasil pela editora Campus.
Ele preconiza que quanto mais colorido for um prato, mais saudável ele
será; e que uma boa refeição deve ter, pelo menos, um alimento nas
seguintes cores: vermelho, vermelho-roxo, laranja, laranja-amareló,
amarelo-verde, verde e branco-verde.A literatura sobre a chamada "dieta
do arco-íris" não traz conceitos revolucionários e nem receitas
milagrosas, mas ajuda a esclarecer certos equívocos e a redimensionar o
poder da alimentaçâo em nosso dia-a-dia. Por exemplo: se uma pessoa
quiser aproveitar todos os benefícios da laranja, é insuficiente
tomá-la em forma de pílula, por mais que contenha vitamina C. Um
simples copo dessa fruta oferece muito mais, o equivalente a 170
fitoquímicos, que ajudam a reduzir os riscos de enfermidades em função
de propriedades terapêuticas.
0 licopeno, que torna o tomate vermelho, defende o corpo contra certos
tipos de tumores, conforme já demonstrado em pesquisas, enquanto os
carotenóides do milho dimánuem as chances de problemas nos olhos. 0
branco da cebola, por sua vez, tem alicina, outra substância química
que age contra o câncer. E por aí vai. Os efeitos antioxidantes (que
retardam o envelhecimento) e antiinflamatórios dos fitoquímicos são
inúmeros, mas sempre proporcionais, de acordo com o livro citado, à
riqueza de pigmentos das refeiçôes que consumimos.
Hoje, mais do que nunca, com o tipo de vida que a maioria leva, não
basta comer e repor energias. 0 principal é ter um exército particular
de prontidâo, incansável, para expulsar bactérias, virus e inimigos de
toda ordem.

